Um relatório das Nações Unidas afirma que o mundo provavelmente ultrapassará 1,5°C de aquecimento até 2030, em relação aos níveis anteriores à Revolução Industrial. Ainda assim, os autores dizem que o desvio pode ser temporário se os países acelerarem a redução das emissões.
Em 2026, a temperatura global já está cerca de 1,4°C acima dos níveis pré-industriais. O relatório relaciona o aquecimento ao aumento dos danos e das mortes provocados por desastres climáticos, à elevação do nível do mar, ao derretimento de geleiras e ao avanço de incêndios florestais na França e na Espanha.
O presidente de Palau, Surangel Whipps Jr., afirmou que os apelos por maior ambição climática não são mais suficientes. Para ele, é necessário ampliar com urgência a vontade política e os investimentos em um futuro seguro para o clima.
Como recuperar a meta
Segundo o relatório, cortes acelerados no uso de combustíveis fósseis e a redução de outras fontes de emissões poderiam limitar o pico do aquecimento a 1,8°C. Depois, métodos de remoção de carbono poderiam trazer a temperatura de volta a 1,5°C ou abaixo disso ainda neste século.
O Acordo de Paris, firmado em 2015, estabeleceu o objetivo de manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C e de buscar limitar o aquecimento a 1,5°C. A meta foi baseada em avaliações científicas sobre os riscos de um aquecimento superior a 2°C.
A Corte Internacional de Justiça decidiu, no ano passado, que 1,5°C é o principal limite de temperatura assumido pelas nações. Em maio deste ano, a Assembleia Geral da ONU endossou a decisão e pediu medidas para limitar o aquecimento.
Pressão por novas ações
O relatório alerta que cada fração adicional de aquecimento aumenta os fenômenos climáticos extremos, a perda de natureza, a redução de terras e os prejuízos. Também há risco de pontos de inflexão, como o derretimento das plataformas de gelo da Groenlândia e da Antártica Ocidental, o colapso de correntes marítimas no Atlântico e a transformação da Floresta Amazônica em fonte líquida de emissões.
Apesar da ultrapassagem da meta, os autores afirmam que o Acordo de Paris não deve ser abandonado. A expansão da energia solar, dos veículos elétricos e da eletrificação ajudou a afastar cenários de aquecimento de 3°C ou mais. A projeção atual é de alta de 2,6°C até o fim deste século, em vez de 3,6°C.
Para manter a meta de emissões líquidas zero até 2050, os líderes precisam reduzir rapidamente as emissões. Também serão necessárias remoções de dióxido de carbono por meio do plantio de árvores, da restauração da natureza e, possivelmente, de tecnologias como a captura de CO2 em rochas e o aumento da alcalinidade dos oceanos.
Em novembro, a Austrália liderará as negociações da COP31, na Turquia. O encontro deverá reunir líderes e diplomatas para discutir formas de manter a meta de 1,5°C ao alcance, com cooperação internacional, financiamento e apoio aos países em desenvolvimento.







