Senadores da oposição ameaçaram obstruir os trabalhos do Senado caso o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), não dê andamento ao pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A cobrança ocorreu nesta segunda-feira (14).
O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), criticou a atuação de Alcolumbre e afirmou que o regimento interno concede poder excessivo ao presidente do Senado. Segundo Marinho, a oposição pretende propor ainda neste ano uma mudança nas regras para permitir a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF quando houver apoio de 49 senadores, sem depender da decisão do presidente da Casa.
O senador Carlos Viana defendeu o afastamento de Moraes do STF se uma investigação for aberta, para evitar possíveis interferências. Ele disse que Alcolumbre teria a obrigação de iniciar o processo de impeachment caso o afastamento não ocorra.
Viana também afirmou que a oposição fará uma obstrução contínua das atividades do Senado para pressionar pela análise do pedido. Para o senador, a sessão desta terça-feira (15), quando o STF analisará um relatório da Polícia Federal, será decisiva.
O documento da Polícia Federal revelou uma troca de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Viana classificou a data como possivelmente a mais importante para a história do país desde a promulgação da Constituição de 1988.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) disse que parlamentares tentaram ser recebidos por Alcolumbre, mas não conseguiram. Ela pediu que o presidente do STF, Edson Fachin, dê andamento a uma investigação contra Moraes.
Marinho também criticou o inquérito sobre a transparência das emendas parlamentares, relatado pelo ministro Flávio Dino. A investigação trata da suposta destinação de recursos públicos ao filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para o senador, o caso não pode ser usado como pressão sobre o Parlamento.








