Senadores de oposição tentam ampliar o apoio à abertura do processo de impeachment contra Alexandre de Moraes, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mantém dezenas de pedidos sem análise. Até o momento, Alcolumbre não indicou que pretende pautar o tema no plenário.
As manifestações realizadas em 17 cidades brasileiras no 7 de setembro fortaleceram a mobilização parlamentar. Os atos tiveram protestos contra Moraes e a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. A oposição espera usar a repercussão das ruas para conquistar o apoio de senadores ainda indecisos.
Um levantamento citado no debate indica que 39 dos 81 senadores já se declaram favoráveis ao impedimento de Moraes. A expectativa dos oposicionistas é alcançar 41, número considerado mínimo para aprovar a admissibilidade da denúncia, caso a proposta seja submetida a votação simples.
Alcolumbre tem recorrido a mecanismos regimentais para adiar uma decisão e evitar o aumento da tensão política. Entre as possibilidades discutidas nos bastidores está o chamado impeachment cruzado: a abertura de um processo contra Moraes acompanhada de outro contra um segundo ministro, como André Mendonça. A estratégia seria reduzir a pressão no plenário e desestimular a continuidade da ofensiva oposicionista.
A posição de Moraes também foi afetada por decisões do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. Fachin retirou o ministro da relatoria do Inquérito das Fake News para novos fatos, em um movimento descrito como sinal de encerramento gradual da investigação. O caso se soma a conflitos com André Mendonça e à anulação de investigações consideradas irregulares.
Suspeitas sob análise
A crise envolve ainda um relatório da Polícia Federal que teria reunido evidências de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pediu ajuda a Moraes para evitar uma prisão. Há suspeitas de que valores próximos a R$ 131 milhões estariam ligados a um esquema de proteção.
O plenário do STF deve decidir no dia 15 se abrirá uma investigação interna sobre o caso. Se as denúncias forem rejeitadas por razões técnicas, a oposição no Senado promete intensificar o uso de instrumentos políticos para pressionar pelo julgamento.








