BRASÍLIA — Os candidatos ao governo do Distrito Federal pediram o bloqueio de bens, a quebra dos sigilos bancário e fiscal e o envio de informações a diferentes órgãos em uma representação contra a governadora Celina Leão. O documento foi protocolado no Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MP-DFT) nesta 3ª feira (8.set.2026).
Kiko Caputo, José Roberto Arruda, Leandro Grass, Paula Belmonte e Ricardo Cappelli solicitaram investigações cível e criminal sobre transferências que somaram R$ 1,4 milhão para a Faceng Engenharia. A empresa pertence ao marido e à filha de Celina. Os recursos foram pagos pela Real JG Facilities, companhia que mantém contratos com o governo.
A representação também pede que a denúncia criminal seja encaminhada à Procuradoria Geral da República, em razão do foro da governadora no Superior Tribunal de Justiça. Os candidatos querem ainda que o caso seja levado à Justiça Eleitoral, que o Tribunal de Contas do Distrito Federal faça uma auditoria e que o Coaf receba relatórios sobre as operações.
Os pagamentos teriam ocorrido entre maio de 2025 e junho de 2026, em 14 transferências mensais de R$ 100 mil. Celina tomou posse como governadora em 28 de março de 2026. Até então, os repasses já chegavam a cerca de R$ 1 milhão.
A Real JG tem um acordo de R$ 2,23 milhões firmado em agosto de 2024 para atender à vice-governadoria. O contrato prevê, até 2029, a locação de materiais e a alocação de 7 trabalhadores. As notas fiscais da Faceng descrevem serviços de construção civil de forma genérica, sem indicar locais, medições técnicas ou obras.
Os candidatos apontam possível conflito de interesses, enriquecimento ilícito e violações da Lei de Improbidade Administrativa. Também citam possíveis crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Celina negou ilegalidade e disse estar “muito tranquila”. Ao comentar o pedido, afirmou: “Esse é o ‘bonde do Arruda’”. A Faceng Engenharia e a Real JG Facilities foram procuradas, mas não responderam até a publicação.








