SAXÔNIA-ANHALT — A Alternativa para a Alemanha (AfD) iniciou nesta terça-feira (8) conversas para tentar formar o governo da Saxônia-Anhalt, após vencer as eleições estaduais realizadas no domingo (6). A legenda conquistou 43% dos votos e 39 das 83 cadeiras do Parlamento, mas precisa de 42 deputados para obter maioria absoluta.
A direção estadual da AfD informou que convidará todos os partidos representados no novo Parlamento para discutir a formação de uma maioria. Tobias Rausch, líder parlamentar da legenda na região, disse que cada sigla receberá um convite formal e que o partido está disposto a fazer concessões em alguns temas.
A CDU, partido de centro-direita do chanceler Friedrich Merz, ficou em segundo lugar, com 17,2% dos votos. O resultado encerrou mais de duas décadas de domínio da legenda no governo estadual.
Impasse para formar uma coalizão
A principal dificuldade para a AfD é o chamado “cordão sanitário” mantido pelos principais partidos alemães, que há anos rejeitam governos ou coalizões com a legenda. CDU, Partido Social Democrata (SPD) e outras siglas representadas no Parlamento afirmaram que não pretendem integrar uma coalizão liderada pela AfD.
O líder estadual Ulrich Siegmund, que poderá chefiar o governo da Saxônia-Anhalt caso a legenda consiga reunir apoio, afirmou ter recebido dos eleitores um “mandato para governar”. Ele também disse que pretende conversar com grupos ou deputados individualmente dispostos a apoiar uma maioria.
O BSW, partido populista de esquerda criado por Sahra Wagenknecht, tornou-se relevante para a formação do novo governo por ter conquistado cadeiras suficientes. Dirigentes da legenda defenderam que a AfD não seja automaticamente excluída das negociações, mas também disseram que há poucas convergências para uma coalizão formal.
Entre os pontos semelhantes entre AfD e BSW estão as críticas à imigração em massa, a oposição ao envio de armas à Ucrânia e a defesa de uma reaproximação econômica da Alemanha com a Rússia.
Se conseguir formar uma maioria, a AfD poderá comandar pela primeira vez um governo estadual na Alemanha. A legenda quer adotar medidas mais rígidas contra a imigração, ampliar deportações e mudar políticas educacionais e culturais na Saxônia-Anhalt.








