A Polícia Federal apontou “robustos indícios” de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e executivos do Banco Master. O relatório foi divulgado após a quebra de sigilo das investigações, autorizada pelo ministro André Mendonça.
Segundo a PF, Wagner e familiares teriam recebido benefícios de Augusto Ferreira Lima, sócio de Daniel Vorcaro no banco. Entre as suspeitas estão o uso de aeronaves, ingressos para shows de Taylor Swift e a compra de um apartamento de luxo em Salvador (BA), avaliado em R$ 2,45 milhões.
O imóvel teria sido adquirido por meio de fundos ligados à REAG Administradora e registrado em nome da Epítome S.A., empresa administrada por terceiros. A PF também apontou a transferência de pelo menos R$ 3,5 milhões para a BN Financeira Ltda., que tem entre os sócios Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Wagner, e Bonnie Toaldo Bonilha, nora do senador. Os recursos teriam saído da PKL One Participações S.A., ligada a Augusto Lima.
O relatório registra ainda ao menos quatro situações em que Wagner teria viajado em aeronaves de Augusto Lima ou operadas por pilotos ligados ao ex-banqueiro ou ao Banco Master, sem registro de pagamento. Em uma dessas ocasiões, Wagner e a esposa, Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, teriam ficado com a família do banqueiro na chamada “Ilha da Paixão”.
A PF também afirma que familiares do senador receberam ingressos de camarote para shows de Taylor Swift em São Paulo, em 2023. As cortesias teriam custado quase R$ 67 mil ao grupo financeiro.
Atuação no Congresso
A investigação sustenta que Wagner teria atuado em pautas de interesse do Banco Master. Entre elas estão a tramitação da Medida Provisória nº 1.106/2022, convertida na Lei nº 14.431/2022, que ampliou as regras e as margens do crédito consignado, e a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
A PF também cita reuniões sigilosas entre o chefe de gabinete de Wagner e Daniel Vorcaro antes da apresentação da Emenda nº 11 à PEC 65/2023. A proposta pretendia elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas não foi aprovada. A emenda foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI).
A assessoria de Wagner afirmou que a defesa apresentou ao gabinete de André Mendonça, no dia 30 de junho, um requerimento com 11 teses para contestar as hipóteses da PF. O senador nega vínculo com o Banco Master e diz que nunca atuou em favor de pautas da instituição.
A PF pediu buscas e apreensões em endereços ligados aos investigados, além da quebra de sigilos bancários, fiscais e telefônicos. O pedido incluiu a apreensão de dinheiro em espécie superior a R$ 20 mil, obras de arte, joias, veículos, aeronaves e outros itens de alto valor sem origem justificada.
O relatório foi assinado por cinco delegados da Polícia Federal e não tem as assinaturas de Andrei Rodrigues, diretor-geral da instituição, nem de Leandro Almada, diretor de Inteligência Policial.








