Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mencionam pagamentos de pelo menos R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal. Os repasses teriam sido solicitados pelo ex-banqueiro e realizados por um diretor jurídico do Banco Master.
Em uma conversa, Luiz Rennó perguntou a Vorcaro: “Esse aqui – R$ 500 mil por mês – mantém?”. Em outubro de 2024, o diretor teria enviado uma planilha com o nome de Kevin Marques para confirmar o pagamento mensal. Em julho do ano seguinte, Rennó voltou a tratar do assunto e escreveu que, entre os pagamentos essenciais, faltava a “consult”.
Investigação sobre os repasses
A apuração aponta que o dinheiro teria passado por uma consultoria antes de chegar ao filho do ministro, em uma possível triangulação para dificultar a identificação da origem dos valores. As mensagens também relacionam os pagamentos a uma votação no STF sobre um tema ligado ao setor de usinas sucroalcooleiras.
O processo tratava da responsabilidade da União por perdas de usinas do setor nos anos de 1980 e 1990. Vorcaro era proprietário de empresas nessa área e poderia se beneficiar de uma decisão favorável. O Banco Master mantinha R$ 10 bilhões em precatórios relacionados ao setor, dependentes do reconhecimento de indenizações pela União.
Uma das mensagens de Rennó menciona o placar “3 (Fachin, Tofoli/Cassio (sic) x 2 (Gilmar e André)”. O texto aparenta citar Edson Fachin, Dias Toffoli, Kássio Nunes Marques, Gilmar Mendes e André Mendonça, integrantes da Segunda Turma do STF.
Negativas e valores da consultoria
Durante uma sessão do STF na terça-feira (15), Nunes Marques negou ter votado em processo relacionado ao Banco Master e também negou que o filho tivesse recebido valores. Kevin Marques declarou que não prestou serviços ao banco e não recebeu dinheiro de Vorcaro.
O Coaf registrou que a Consult Inteligência Tributária recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master entre agosto de 2024 e julho de 2025. O valor foi considerado incompatível com a capacidade financeira da empresa, que havia declarado faturamento de R$ 25,5 mil.
O escritório de Kevin Marques afirmou que ele recebeu R$ 281,6 mil da Consult, “empresa à qual prestou serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa”, e disse que a atuação não teve relação com o STF.








