São Paulo, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,21 · Euro R$ 5,93 · Ibovespa 182.991 +0,00% São Paulo 19°C 19° / 33°
Política

Planilhas do WiFi Livre têm pontos fora de SP e datas de instalação futuras

Documentos validados pela Prefeitura de São Paulo trazem coordenadas, CEPs e datas inconsistentes em pontos do programa.

Prefeitura de SP aprovou planilha de ONG ligada a 'Dark Horse' que indica ponto de Wi-Fi em praia carioca

Planilhas de prestação de contas do programa WiFi Livre, administrado pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), apresentam endereços, coordenadas geográficas, CEPs e datas de instalação inconsistentes. Os documentos foram validados pela Prefeitura de São Paulo, que contratou a entidade para instalar pontos de internet em regiões da periferia da capital.

Uma das planilhas, encaminhada pelo ICB em 19 de janeiro de 2025, registra 2.673 pontos instalados entre agosto de 2024 e janeiro de 2025. A outra, apreendida em 10 de junho de 2026 durante uma operação na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, tem 2.929 registros. Os 2.673 pontos da primeira base também aparecem na segunda, que acrescenta 256 equipamentos.

Embora os equipamentos sejam os mesmos, as datas de instalação foram alteradas para 2026. Um ponto da rua Emílio Castro, no Jardim Damasceno, aparece instalado em dezembro de 2024 na primeira planilha e em dezembro de 2026 na segunda. Nos dois documentos, o link consta como ligado.

Localizações divergentes

As coordenadas de 37 pontos indicam locais fora de São Paulo, apesar de os endereços apontarem para a capital. Um equipamento registrado na rua Angelo Bini, no Conjunto Residencial José Bonifácio, em Itaquera, tem coordenadas que levam à Ilha de Paquetá, no município do Rio de Janeiro. O registro informa instalação em outubro de 2024.

Outro ponto, no Jardim das Oliveiras, no Itaim Paulista, traz um erro no nome da rua e coordenadas que apontam para Jundiaí. Também há um endereço com “Uruquaiana” no lugar de “Uruguaiana”, enquanto as coordenadas levam a Sorocaba.

As planilhas registram ainda 16 pontos com CEPs de outros municípios: 15 de Ferraz de Vasconcelos e um de Cotia. Um ponto de Cidade Tiradentes aparece com o CEP 00941-465, que não corresponde a um código postal válido no país.

Contrato e investigações

O ICB recebeu mais de R$ 100 milhões pelo serviço. Após a primeira planilha, o contrato foi prorrogado duas vezes, em junho de 2025 e janeiro de 2026, elevando o valor total para mais de R$ 157 milhões.

O programa é supervisionado pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. A pasta afirmou que os pontos são fiscalizados desde a instalação por monitoramento técnico e georreferenciado e que a execução foi comprovada por documentos e fotografias. Também declarou que inconsistências cadastrais são comunicadas à instituição responsável.

O ICB afirmou que as planilhas correspondem a momentos diferentes de atualização da base operacional e que a versão mais recente deve ser usada para acompanhar a execução. A entidade também disse utilizar o georreferenciamento no monitoramento dos pontos.

O contrato é alvo de investigações da Polícia Federal e da Polícia Civil de São Paulo. A Polícia Federal informou ter encontrado indícios de uma triangulação financeira de ao menos R$ 6,1 milhões entre empresas e entidades ligadas a Karina Ferreira da Gama, dirigente do ICB. A Polícia Civil afirmou ter identificado “consistentes suspeitas” de desvio de recursos do WiFi Livre para financiar a produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

Karina da Gama é dona da produtora responsável pelo filme. O acordo do WiFi Livre foi assinado em junho de 2024 pela gestão do prefeito Ricardo Nunes, do MDB.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5