Bahia, Ceará e Piauí mantiveram o PT no governo estadual com vitórias no primeiro turno. Os resultados preservaram os principais redutos do partido no Nordeste, apesar do avanço de Flávio Bolsonaro na região e do aumento da competitividade eleitoral.
Cientistas políticos ouvidos no levantamento associam a permanência petista a políticas sociais, à identificação com Lula e à construção de estruturas políticas locais. André Mota afirma que o Bolsa Família alcançou quase metade das famílias nordestinas a partir de 2006, criando uma relação direta entre eleitores de menor renda e o governo federal petista.
Para Paulo Ramirez, da ESPM, a memória de melhorias como água encanada e acesso à alimentação criou uma “dívida simbólica” no eleitorado. Adriano Oliveira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), diz que o longo período do PT no poder ajudou a consolidar estruturas capazes de manter a base eleitoral.
Bahia
Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito com 4,62 milhões de votos, 55,79% dos votos válidos, contra 3,62 milhões de ACM Neto (União Brasil), que teve 43,72%. A diferença foi de 12,07 pontos percentuais. Com o resultado, o partido chegou ao sexto mandato consecutivo no governo estadual, que comanda desde 2007.
A disputa foi mais apertada que as anteriores. Em 2022, Jerônimo havia vencido no segundo turno, depois de terminar a primeira etapa com 49,45%, contra 40,80% de ACM Neto. Na votação final, ficou com 52,79%, contra 47,21%.
Rui Costa e Jaques Wagner foram eleitos para o Senado. Costa recebeu 4,33 milhões de votos, e Wagner, 3,99 milhões.
Ceará e Piauí
No Ceará, Elmano de Freitas (PT) foi reeleito com 53,19% dos votos válidos, contra 46,22% de Ciro Gomes (PSDB). A diferença foi de 6,97 pontos percentuais. O resultado deu ao PT o quarto mandato consecutivo no estado.
Ciro reuniu uma frente de oposição com União Brasil, PP e PL, mas Elmano virou a disputa na reta final. A associação com Lula foi um dos elementos da campanha petista. Cid Gomes (PSB), irmão e adversário de Ciro, foi reeleito senador com 31,22% dos votos.
No Piauí, Rafael Fonteles (PT) venceu com 70,90% dos votos válidos, contra 27,54% de Joel Rodrigues (PP). O resultado garantiu mais quatro anos ao partido e o quarto mandato consecutivo desde 2015. Fonteles também havia vencido em 2022, com 57,17% dos votos.
André Mota classificou o estado como um “caso mais puro de partido-estado”, em referência à integração entre a máquina pública e a estrutura eleitoral do governo. Para Paulo Ramirez, programas sociais, energia elétrica e a transposição do Rio São Francisco contribuíram para a manutenção do poder petista.








