O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir se será aberta uma investigação contra Alexandre de Moraes a partir de mensagens de Daniel Vorcaro e de outros elementos reunidos em relatório da Polícia Federal (PF). Nunes Marques declarou impedimento para analisar o caso, enquanto Dias Toffoli disse ser suspeito e informou que não votará.
As mensagens mencionam contratos com o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes, além de encontros. Vorcaro também questiona se poderia bloquear decisões desfavoráveis e pede que fossem reforçadas, com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, informações sobre pressões contra o Banco Master no Banco Central.
Um dos trechos ocorre dois dias antes da prisão do banqueiro. Vorcaro pergunta se já deveria estar fora até a segunda-feira em que foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A mensagem cita Ricardo Augusto Soares Leite, juiz da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, que assinou o mandado de prisão preventiva.
Declarações dos ministros
Nunes Marques falou após a leitura do relatório pelo presidente do STF, Edson Fachin. Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele afirmou que a Corte “está indo muito bem” e que sua atuação nas eleições o deixou desconfortável para julgar a petição.
O ministro disse que nunca conversou com Daniel Vorcaro e que seu filho, Kevin Marques, jamais prestou serviços ou recebeu remuneração do Banco Master. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro detalham pagamentos e R$ 500 mil a Kevin Marques. Kevin negou ter prestado serviço ao banco e disse que “nem recebeu dinheiro” de Vorcaro.
Nunes Marques também afirmou que nunca julgou processo relacionado à instituição financeira. Em seguida, declarou: “Se eu me sentisse desconfortável ou cooptado de alguma forma, jamais teria votado pela confirmação da prisão de Daniel Vorcaro, de seu pai e das pessoas envolvidas”.
Toffoli afirmou que houve afastamento voluntário por razões de “foro íntimo”, embora os ministros não o tenham considerado impedido de julgar o caso Master. Ele disse que permaneceria no julgamento, mas sem votar.
Durante a fala de Toffoli, Flávio Dino pediu um aparte, o que provocou uma discussão com Edson Fachin. Gilmar Mendes defendeu Dino e afirmou que o pedido deveria ser dirigido ao orador, e não à presidência.
O material também descreve a obtenção de informações sigilosas do Banco Central (BC), da PF, do Ministério Público Federal (MPF) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em resposta, Moraes afirmou que a atitude de Mendonça seria motivada por “vingança” e classificou as conversas como “fantasiosas”.







