O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou-se impedido de votar no julgamento que analisaria se Alexandre de Moraes seria investigado por corrupção após ser pressionado por diferentes frentes. Antes da sessão, recebeu mensagens de Gilmar Mendes, foi visitado por Moraes e pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e teve o nome do filho citado em um vazamento sobre pagamentos do Banco Master.
Na segunda-feira (14), Alcolumbre esteve no gabinete de Nunes Marques no STF. Depois, Alexandre de Moraes também se reuniu com o ministro. Moraes carregava um envelope, que, segundo o gabinete de Nunes Marques, continha uma cópia impressa de sua defesa.
A assessoria de Nunes Marques afirmou que não houve pressão de Alcolumbre e que os dois trataram de assuntos relacionados ao Congresso Nacional. O gabinete também declarou que Moraes entregou pessoalmente a defesa ao colega.
Mensagens e vazamento
Em 8 de setembro, Gilmar Mendes enviou mensagens a Nunes Marques pelo WhatsApp e pediu que ele e Luiz Fux deixassem o processo. Mendes também pressionou Nunes Marques a abrir suas contas bancárias e a deixar a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Você e o Fux parecem servis, submissos. Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, escreveu Gilmar Mendes.
Na véspera do julgamento, mensagens atribuídas ao celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, mostraram um suposto pagamento de R$ 500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho de Nunes Marques. O ministro afirmou que o filho nunca prestou serviços ao banco nem recebeu pagamentos da instituição.
O cientista político Leonardo Volpatti disse que a pressão tinha como objetivo favorecer Moraes. Para ele, a ausência de Nunes Marques teve efeito numérico na sessão, que terminou suspensa com quatro votos a três contra a reunião dos processos de Moraes e André Mendonça.
Justificativa para o impedimento
No início do julgamento da PET 16.662, Nunes Marques afirmou que se afastaria para preservar a imagem do TSE de uma possível contaminação política durante o período eleitoral. Ele declarou ainda que sempre atuou com isenção em casos relacionados ao Banco Master no STF.
“Tenho uma missão que me foi conferida pela Constituição brasileira”, afirmou o ministro. Nunes Marques disse que sua prioridade era assegurar o equilíbrio das eleições de 2026 e declarou não se sentir confortável para participar do julgamento.
Volpatti avaliou que a decisão também retirou o ministro de uma escolha difícil, em meio à exposição pública de seu filho e à pressão entre integrantes do Supremo. A advogada Fernanda Rúbia afirmou que a preservação da imagem do TSE foi relevante, mas não é possível determinar isoladamente qual fator foi decisivo.







