O Festival de Veneza premiou filmes que tratam de conflitos armados, autoritarismo, desigualdade no trabalho e relações de poder. A seleção colocou em destaque produções com temas políticos e sociais em diferentes contextos.
Entre os 21 longas da competição principal, o Leão de Ouro ficou com “Woman Unknown”, dirigido pela dinamarquesa May el-Thouky. O júri foi presidido pela atriz americana Maggie Gyllenhaal. A produção também rendeu a Coppa Volpi de melhor atriz a Mathilde Arcel.
O filme acompanha uma mulher de origem proletária que se casa com o antigo patrão. A vida confortável é ameaçada quando um homem afirma que revelará um segredo: durante a Segunda Guerra, ela manteve um relacionamento com um nazista. Com o fim da ocupação alemã, a revelação poderia provocar o fim do casamento e uma punição pública.
A escolha ocorreu após a presença de apenas um filme dirigido solo por uma mulher na disputa pelo prêmio principal. O resultado contrariou a afirmação de Alberto Barbera, diretor do evento, de que a seleção considerava apenas o valor estético das obras.
Guerra e autoritarismo
O prêmio especial do júri foi para o documentário “Naza”, dos israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor. O filme mostra ações de Israel em Gaza que, segundo os depoimentos apresentados, matam civis durante operações contra integrantes do Hamas. Pessoas que participaram de operações do governo de Binyamin Netanyahu relatam suas experiências com rostos e vozes camuflados.
Ilya Khrzhanovsky recebeu o prêmio de melhor direção por “Dau”. Nascido na Rússia, o diretor abriu mão da cidadania do país após desavenças com o governo de Vladimir Putin. O filme encerra um projeto iniciado há 20 anos, com um estúdio em que pessoas viveram por mais de um ano em uma simulação da União Soviética sob forte opressão estatal.
Trabalho e influência internacional
O Grande Prêmio do Júri foi para “Possible Love”, do sul-coreano Lee Chang-dong. A história acompanha uma documentarista que filma desempregados de uma grande empresa da Coreia do Sul. Um encontro entre um casal rico e outro afetado por demissões expõe disputas de poder, inveja e desejo.
“Un Bon Petit Soldat”, de Stéphane Brizé, venceu o prêmio de melhor roteiro, assinado pelo diretor, Coralie Amedeo e Olivier Gorce. A trama segue uma diretora de recursos humanos dividida entre as ordens do chefe e os efeitos das decisões sobre os trabalhadores.
John Malkovich ganhou o prêmio de melhor ator por “Cavalo Selvagem Nove”, de Martin McDonagh. Ele interpreta um agente da CIA enviado a países de terceiro mundo para defender interesses dos Estados Unidos. A história se passa no Chile antes da derrubada de Salvador Allende.








