VENEZA — Wim Wenders afirmou que o cinema pode produzir mudanças por meio da empatia e definiu a arte cinematográfica como um “antídoto” para a política. A declaração foi feita durante o Festival de Veneza, em meio a debates sobre o papel político dos filmes.
O diretor também esclareceu sua fala no Festival de Berlim, em fevereiro. Presidente do júri da competição principal da Berlinale deste ano, Wenders havia dito, em uma entrevista coletiva, que cineastas deveriam se manter afastados da política. Ele afirmou em Veneza que foi mal interpretado e que não defendia o afastamento de artistas de questões políticas.
Para Wenders, há uma diferença fundamental entre o trabalho de cineastas e a atuação de políticos. Segundo ele, a política funciona com estratégias e procura administrar o presente, enquanto a arte opera pela empatia e pode provocar transformações de outra natureza.
A controvérsia em Berlim surgiu depois de uma pergunta sobre a posição do festival diante da guerra em Gaza e sobre o tratamento dado a conflitos como os da Ucrânia e do Irã.
Debate em Veneza
Na abertura do festival, o diretor Alberto Barbera afirmou que a conjuntura atual torna praticamente inevitável a produção de filmes políticos por cineastas. Maggie Gyllenhaal, presidente do júri, também defendeu essa visão e disse que os filmes são “fundamental e inegavelmente políticos”.
Ao falar sobre a realização de filmes em um mundo em estado de emergência, Gyllenhaal relacionou essa escolha à empatia e à possibilidade de encontrar esse sentimento dentro de si mesmo.








