O ministro Cristiano Zanin determinou que a Polícia Federal enviasse ao gabinete dele uma cópia integral do celular de Daniel Vorcaro. O material já foi entregue e está em análise pela equipe do ministro, conforme informado no processo.
A ordem foi dada por meio de um ofício e não passou pela intermediação de Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator da controvérsia. A discussão envolve o relatório sobre as relações entre o dono do Banco Master e o ministro Alexandre de Moraes.
Pedido da defesa
A defesa de Vorcaro protocolou nesta segunda-feira (14) um pedido para que Fachin determine uma filtragem na divulgação dos dados extraídos do aparelho. Os advogados afirmam que a medida deve evitar a exposição de conteúdos pessoais, sem solicitar a retomada do sigilo do caso.
Como exemplo, a petição menciona o vazamento de mensagens trocadas entre o banqueiro e sua namorada, Martha Graeff. O documento cita dispositivos da Constituição e tratados de direitos humanos para defender a proteção da vida privada.
Mendonça afirmou, em despacho apresentado antes de deixar a relatoria do caso Moraes-Vorcaro, que não tem acesso ao celular, mas a uma cópia de segurança lacrada em seu gabinete. Segundo ele, o arquivo não é acessado e serve como contraprova caso o material original, mantido pela Polícia Federal, seja perdido ou extraviado.
“Trata-se de contraprova a ser utilizada apenas em caso de necessidade”, escreveu Mendonça.
O ministro também declarou que a cópia integral enviada a Zanin poderia comprometer investigações em andamento. Para ele, os autos já têm material suficiente para o julgamento desta terça-feira (15), e a análise dos dados brutos poderia tumultuar a sessão e desviar o processo de seu curso.
Em outro despacho, Mendonça pediu que quatro delegados envolvidos no inquérito esclarecessem a entrega da cópia de segurança e informassem se sofreram constrangimentos durante as investigações. Ele disse que o envio ocorreu espontaneamente, em um domingo, dia 8 de março de 2026.
Ao tratar da disputa sobre o conteúdo do celular, Mendonça citou a possibilidade de “subterfúgios” e “outros interesses” e afirmou que a gravidade dos fatos não justificaria desvios dos objetivos da Justiça.








