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Saúde

Anticorpos maternos ajudam a proteger bebês nos primeiros meses de vida

Vacinas aplicadas na gravidez estimulam a mãe a produzir anticorpos que atravessam a placenta e oferecem proteção temporária ao bebê.

Anticorpos maternos ajudam a proteger bebês nos primeiros meses de vida
Foto: Arte Metrópoles/Lara Abreu

A vacinação durante a gravidez pode fazer com que o bebê nasça com anticorpos contra algumas infecções, antes mesmo de iniciar o próprio calendário vacinal. Essas proteínas são produzidas pela mãe após a aplicação do imunizante, circulam pelo sangue e parte delas atravessa a placenta até alcançar o feto.

A proteção é passiva e temporária. Como os anticorpos não são fabricados pelo organismo da criança, suas concentrações diminuem ao longo do tempo. A infectologista Carolina Ciprano estima que esse efeito dure, de forma geral, cerca de seis meses, com variações conforme o anticorpo, a doença, o momento da vacinação e as características individuais.

Uma janela de maior vulnerabilidade

Nos primeiros meses, o sistema imunológico do bebê ainda está amadurecendo. O calendário infantil também está no início, e algumas vacinas exigem mais de uma dose para consolidar a resposta. Além disso, as vias aéreas menores podem tornar mais graves infecções respiratórias que seriam leves em adultos ou crianças maiores.

VSR, coqueluche, influenza e Covid-19 estão entre as infecções preocupantes nessa fase. O tétano neonatal é outro exemplo da importância da imunização materna. No caso do VSR, a vacinação da gestante tem entre seus principais objetivos fornecer anticorpos à criança antes do período de maior vulnerabilidade.

A transferência pela placenta aumenta principalmente no fim da gravidez e é considerada máxima a partir da 28ª semana. Bebês prematuros podem receber menos anticorpos por terem permanecido menos tempo no útero. Para grupos definidos pelo Ministério da Saúde, o SUS disponibiliza o nirsevimabe, um anticorpo monoclonal administrado diretamente à criança.

Vacinação da mãe e do bebê

A imunização materna não substitui as vacinas infantis. Enquanto os anticorpos recebidos da mãe diminuem, o organismo da criança começa a desenvolver sua própria imunidade, estimulada pelas doses previstas no calendário. A amamentação também oferece componentes imunológicos, principalmente nas mucosas, mas atua de forma diferente da transferência de anticorpos pela placenta.

Algumas vacinas precisam ser repetidas em cada gestação para que haja concentração adequada de anticorpos durante aquele período. A dTpa é recomendada em uma dose a cada gravidez a partir da 20ª semana. Para o VSR, a aplicação ocorre a partir da 28ª semana. Já a hepatite B não exige a repetição de todas as doses quando o esquema anterior foi completado; durante a gestação, a vacinação deve ser iniciada ou concluída se o histórico estiver incompleto.

Dados sobre o VSR

A vacinação materna contra o VSR começou na rede pública em dezembro de 2025, para gestantes a partir da 28ª semana. No primeiro semestre de 2026, o Ministério da Saúde registrou redução de 52,5% nos casos de síndrome respiratória aguda grave associados ao vírus entre menores de seis meses, na comparação com o mesmo período de 2025. O ministério ainda conduz uma análise sobre o impacto da imunização, e os resultados divulgados são preliminares.

A cobertura da dTpa passou de 33,81% em 2016 para 93,59% em 2025. Os dados preliminares de 2026 indicam 87,86%. Desde 2023, mais de 6,6 milhões de doses foram distribuídas pelo SUS para gestantes. As coberturas de influenza e Covid-19, porém, ainda são consideradas preocupantes por Juarez Cunha, da Sociedade Brasileira de Imunizações.

A Caderneta Brasileira da Gestante orienta que a equipe do SUS indique, acompanhe e explique as vacinas de acordo com cada fase da gravidez e as necessidades da mulher. A proteção recebida antes do nascimento reduz a vulnerabilidade inicial, mas não elimina a necessidade de amamentação, de outros cuidados e do cumprimento do calendário infantil.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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