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Filme de Guto Parente transforma bastidores em conflito entre luto, trabalho e criação

Longa acompanha uma produtora grávida que enfrenta o desaparecimento do ex-marido, tensões no set e os efeitos da gravidez.

Filme de Guto Parente transforma bastidores em conflito entre luto, trabalho e criação
Foto: Divulgação

A rotina de uma produção cinematográfica vira o centro do conflito em “Morte e Vida Madalena”, novo longa de Guto Parente. A protagonista, interpretada por Noá Bonoba, está grávida de oito meses e precisa concluir uma ficção científica marcada pelo absurdo enquanto enfrenta problemas pessoais e profissionais.

O ex-marido de Madalena desaparece depois de ser escolhido para dirigir o roteiro sobre o pai dela, que morreu. Diante disso, a produtora coloca um ator no comando e passa a lidar com as exigências do artista, os atritos entre integrantes da equipe e as dificuldades provocadas pela gravidez.

Parente afirma que o filme parte da ideia de que a produção cinematográfica também é uma forma de trabalho. Para ele, cada obra reúne uma equipe por determinado período, que depois se desfaz para iniciar outro projeto. As situações do longa foram influenciadas por experiências do próprio diretor, de Ticiana Augusto Lima e de colaboradores da dupla.

A morte do pai de Parente também aparece como ligação entre sua trajetória e o filme. O episódio havia inspirado “Estranho Caminho”. Já Lima descobriu que estava grávida pouco depois do fim das filmagens, e a bebê participou de gravações adicionais.

Trabalho invisível e representação

Bonoba afirma que a personagem nasceu da pesquisa sobre uma profissão frequentemente exercida longe dos holofotes. A atriz, que já trabalhou como produtora, diz que o filme apresenta mulheres que organizam as produções sem reconhecimento público.

Embora não trate diretamente de identidade de gênero, o longa motivou Bonoba, que se autodeclara travesti, a discutir o termo “cisfake”. A expressão propõe uma inversão do debate sobre “transfake”, prática criticada por pessoas trans quando artistas cisgêneros são escolhidos para interpretar personagens trans.

Bonoba também diz que houve redução de papéis para pessoas trans no Brasil. Segundo ela, personagens desse grupo passaram a ser escritos de maneira mais limitada ou deixaram de aparecer.

A fantasia é outro recurso usado pelo filme. Em uma cena, Madalena encontra sua versão criança atrás de um muro. Raul Lôbo interpreta essa personagem e, conforme Lima, sentiu-se reconhecida ao participar de seu primeiro trabalho de ficção.

A combinação de drama, comédia e terror já faz parte da trajetória de Parente. Em “Inferninho”, pessoas queer encontram abrigo em um bar com um garçom vestido de coelho. Para o diretor, misturar códigos de gênero pode alterar expectativas sobre o cinema produzido no Nordeste. O realizador também integra o Alumbramento, coletivo criado em 2006 que ganhou projeção com “Estrada para Ythaca”, vencedor em 2010 do prêmio de melhor filme da mostra Aurora, no Festival de Tiradentes. Parente passou a trabalhar na Tardo Filmes, produtora de Lima, em 2012.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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