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Saúde

Brasil interrompe três pesquisas com rap-cel após alerta de segurança

Anvisa paralisou estudos da Novartis com terapia CAR-T para doenças autoimunes após três mortes em ensaios internacionais.

Brasil interrompe três pesquisas com rap-cel após alerta de segurança
Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu três ensaios clínicos realizados no país com a terapia celular experimental rapcabtageno autoleucel, conhecida como rap-cel, da Novartis. Os estudos avaliam o uso do tratamento contra doenças autoimunes.

A decisão entrou em vigor com a publicação da Resolução-RE nº 3.620, de 14 de setembro de 2026, no Diário Oficial da União (DOU), nessa terça-feira (15/9). A Anvisa justificou a medida com “medidas de segurança”.

A suspensão ocorreu depois que a Novartis interrompeu, em 24 de agosto, oito ensaios internacionais com a rap-cel voltados a doenças autoimunes e neurológicas. A farmacêutica informou que recebeu notificações de três casos graves de síndrome hemofagocítica associada a células efetoras imunes, conhecida como IEC-HS. As complicações provocadas pela reação imunológica levaram os participantes à morte.

A publicação da Anvisa não afirma que os três óbitos ocorreram no Brasil nem identifica os participantes dos estudos brasileiros. Em nota, a Novartis disse que os eventos aconteceram fora do país e afirmou que nenhum paciente brasileiro morreu durante os testes clínicos realizados no Brasil.

Pesquisas afetadas

Os três ensaios são de fase 2, etapa que inclui a avaliação da eficácia e da segurança de tratamentos experimentais. Um deles estudava a rap-cel em pessoas com granulomatose com poliangeíte ou poliangeíte microscópica ativa grave.

Outro examinava o tratamento em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico refratário ativo ou nefrite lúpica refratária ativa. Nesse estudo, a terapia seria administrada uma única vez após a linfodepleção, processo de preparação do organismo.

O terceiro ensaio previa duração de cinco anos e comparava a rap-cel ao rituximabe em participantes com esclerose sistêmica cutânea difusa refratária grave.

Os estudos têm como patrocinadora e empresa solicitante a Novartis Biociências S/A. Na Anvisa, estão vinculados ao processo nº 25351.416636/2024-04.

Investigação da empresa

A síndrome hemofagocítica associada a células efetoras imunes é uma complicação inflamatória rara e grave que pode ocorrer após terapias CAR-T. A reação envolve ativação excessiva do sistema imunológico, com possibilidade de inflamação intensa e comprometimento de diferentes órgãos.

A Novartis informou que iniciou uma revisão das mortes e que trabalha com comitês independentes de segurança para investigar os casos e buscar maneiras de identificar mais cedo efeitos adversos perigosos. A empresa também afirmou que continuará acompanhando os pacientes que já receberam a terapia.

Os estudos da rap-cel para leucemia e linfoma não foram incluídos na pausa anunciada pela farmacêutica. O programa da terapia na área de oncologia não foi afetado, mas esse estudo não é realizado no Brasil.

Como funciona a rap-cel

A terapia CAR-T usa linfócitos T retirados do próprio paciente e modificados para reconhecer um alvo específico. Depois, essas células são administradas novamente no organismo para atacar as células que apresentam esse alvo.

A rap-cel é direcionada ao CD19, proteína encontrada na superfície de células B, que participam da resposta imunológica e estão envolvidas no desenvolvimento de doenças autoimunes. A tecnologia já é usada contra alguns tipos de câncer do sangue, enquanto seu potencial para doenças autoimunes ainda é investigado.

A Novartis informou que compartilha dados de segurança com autoridades sanitárias durante a apuração das complicações. No Brasil, a Anvisa determinou a suspensão dos ensaios por medidas de segurança.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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