A metformina continua como o primeiro medicamento considerado para pessoas diagnosticadas com diabetes tipo 2, segundo a atualização da diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), revisada em agosto deste ano. A recomendação vale para pacientes com função dos rins preservada ou pouco comprometida e deve ser acompanhada de mudanças no estilo de vida.
O documento mantém a metformina como base do tratamento por reunir eficácia, segurança comprovada, baixo custo e efeitos colaterais considerados administráveis. O comprimido é usado há mais de 60 anos e permanece indicado mesmo com a chegada de medicamentos como os inibidores de SGLT2, os agonistas de GLP-1 e a tirzepatida.
Combinação de medicamentos
A diretriz organiza o tratamento em combinações duplas, triplas e quádruplas. Para pessoas com risco cardiovascular e renal alto ou muito alto, a metformina pode ser combinada a um inibidor de SGLT2, a um agonista de GLP-1 ou à tirzepatida. Entre os pacientes incluídos estão aqueles com histórico de infarto, AVC, doença renal mais avançada ou vários fatores de risco.
Nos casos de risco cardiovascular e renal elevado, a recomendação é iniciar um inibidor de SGLT2 independentemente do nível de açúcar no sangue, devido aos benefícios na redução de eventos cardíacos e na proteção dos rins. Para quem tem obesidade associada, os agonistas de GLP-1 e a tirzepatida ganham prioridade pelo efeito sobre o peso.
A SBD também reúne evidências sobre os resultados associados à metformina. Um estudo que acompanhou por mais de dez anos pessoas com diabetes tipo 2 recém-diagnosticado e excesso de peso registrou 42% menos mortes relacionadas ao diabetes e 36% menos mortes por qualquer causa entre os que usaram o medicamento, em comparação com o tratamento convencional da época.
Outra análise, baseada em dezessete revisões da literatura científica, associou o uso da metformina a menor mortalidade cardiovascular e a menos eventos cardiovasculares. Uma comparação entre classes de antidiabéticos apontou redução de risco cardiovascular de magnitude semelhante à observada com GLP-1, SGLT2 e pioglitazona.
Cuidados durante o uso
A diretriz recomenda atenção à função renal. A dose da metformina deve ser reduzida pela metade quando a filtração dos rins atinge determinados níveis e o medicamento deve ser suspenso diante de uma queda mais acentuada, pelo risco raro e grave de acidose láctica.
O uso prolongado também pode reduzir a absorção de vitamina B12. Por isso, a recomendação é dosar a vitamina anualmente a partir do quarto ano de tratamento e fazer reposição quando necessário.
A atualização da diretriz de 2026 mantém a metformina como a base da terapia para quase todo perfil de paciente com diabetes tipo 2. Os medicamentos mais novos são acrescentados conforme a presença de obesidade e os riscos cardiovasculares e renais.








