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Ed Motta retoma pop e bateria eletrônica no álbum “Toc-Toc”

Aos 55 anos, cantor revisita escolhas da carreira e afirma que passou a aceitar melhor suas próprias contradições.

Ed Motta retoma pop e bateria eletrônica no álbum “Toc-Toc”
Foto: Lucas Seixas/Folhapress

Ed Motta lança nesta sexta-feira “Toc-Toc”, seu 15º disco, com uma sonoridade que recupera o pop, a língua portuguesa e as batidas eletrônicas. O álbum marca o retorno ao português depois de três trabalhos voltados ao público estrangeiro e retoma elementos presentes no início da carreira.

A mudança também representa uma revisão de escolhas que o cantor rejeitou durante anos. “Esse disco é cheio de programações de bateria eletrônica, coisa que falei milhares de vezes que nunca mais faria”, afirma. Segundo Ed, a resistência vinha de uma formação radical ligada ao passado de roqueiro.

O novo trabalho traz referências de electro-funk, R&B e da música brasileira. As texturas remetem a “Conexão Japeri”, de 1988, e “Um Contrato com Deus”, de 1990, mas aparecem em uma atmosfera contemplativa. Ed diz que queria um disco mais comunicativo e leve, depois de um período marcado por orquestrações extensas, jazz, soft rock e arranjos complexos.

Revisão da própria trajetória

Aos 55 anos, o cantor afirma estar em paz com quase tudo o que ouviu e menos crítico em relação à própria produção. A mudança inclui uma nova avaliação de “Manual Prático para Festas, Bailes e Afins”, lançado em 1997 e responsável pelo maior sucesso de sua carreira, com músicas como “Fora da Lei” e “Vendaval”.

Ed passou décadas sem conseguir ouvir o disco e criticava as baterias eletrônicas produzidas por Liminha. Agora, diz que gosta das canções e considera interessante a formatação do álbum. O trabalho ganhou uma sequência, “As Segundas Intenções do Manual”, lançada em 2000 com “Colombina”.

A carreira começou cedo, quando Ed tinha cerca de 15 anos e carregava a condição de sobrinho músico de Tim Maia. Depois do sucesso de “Manuel”, de 1988, ele lançou “Entre e Ouça”, de 1991, contrariando as expectativas comerciais da gravadora. O disco teve baixa venda e depois se tornou uma peça cult.

Em 2013, com “AOR”, Ed lançou seu último álbum em português antes de “Toc-Toc”. Na sequência, produziu três discos em inglês pela gravadora alemã MPS, aprofundando influências de jazz e soft rock.

Polêmicas e contradições

O cantor diz que parte de sua imagem provocadora é personagem, mas reconhece que o humor, a acidez, o sarcasmo e o cinismo também fazem parte de sua personalidade. Ao longo dos anos, pediu desculpas por declarações sobre brasileiros, fãs de rap e Raul Seixas.

Em maio, envolveu-se em uma confusão em um restaurante no Rio de Janeiro por causa de uma taxa de rolha. Um vídeo mostrou Ed jogando uma cadeira no chão. Ele também foi investigado por injúria por preconceito após usar o termo “paraíba” ao se referir a um barman e voltou a pedir desculpas.

Ed afirma que se sente cansado e que recorre a remédios de tarja preta para lidar com a rotina. Ele diz não acreditar em terapia. Também conta que ouve cerca de dez discos por dia, bebe vinho aproximadamente três vezes por semana e costuma dormir e acordar cedo.

A relação ambígua com a própria carreira aparece na conclusão do cantor sobre sua personalidade: “Sem contradição, a vida não tem graça. Uma vida de coerência é uma coisa medíocre.”

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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