A enicepatida levou 90% dos pacientes tratados a atingir a meta glicêmica mais restrita para pessoas com diabetes 2 em um estudo clínico de fase 2. O resultado foi obtido ao longo de 48 semanas, período em que a substância também promoveu redução média de 15,5% no peso na dose mais alta avaliada.
A pesquisa, apresentada pela Roche, envolveu 447 adultos com diabetes 2 e sobrepeso ou obesidade. A medicação experimental foi desenvolvida para aplicação semanal e combina os hormônios GLP-1 e GIP, em um mecanismo semelhante ao da tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro.
Resultados sobre a glicemia
Entre os participantes que receberam a enicepatida, a redução média da hemoglobina glicada foi de 2,65%. Esse indicador representa a média dos níveis de açúcar no sangue ao longo de um período.
Em pacientes que começaram o estudo com hemoglobina glicada acima de 8,5%, a queda chegou a 4,3%. Além dos 90% que alcançaram nível menor ou igual a 6,5%, 62% chegaram a uma taxa considerada normal, menor ou igual a 5,7%.
Na dose máxima, de 24 gramas, a redução média de peso foi de 15,5%. Durante o acompanhamento, não foi observado um platô, definido como a estabilização da perda de gordura corporal.
Segurança e próximas etapas
Os eventos adversos registrados foram semelhantes aos observados em medicamentos da mesma classe, principalmente sintomas gastrointestinais leves a moderados. A interrupção do tratamento ocorreu em 2% dos participantes que receberam a enicepatida e em 0% do grupo placebo.
O endocrinologista Clayton Macedo afirmou que a diferença em relação ao Mounjaro está na proteína recrutada pela molécula ao se ligar ao receptor. Macedo é coordenador do serviço de Endocrinologia do Exercício da disciplina de medicina esportiva do Hospital São Paulo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Segundo a Roche, dois estudos de fase 3 investigam o controle da obesidade. Um terceiro estudo, também de fase 3, está previsto para o primeiro semestre do próximo ano e avaliará o controle da glicemia e desfechos cardiovasculares.
“Combinada com a perda de peso sustentada, a enicepatida oferece um perfil potencialmente ideal para o tratamento da doença”, disse Levi Garraway, diretor médico e chefe de desenvolvimento global de produtos da Roche.








