Um estudo com 5.384 pessoas com diabetes tipo 2 encontrou uma associação entre níveis mais altos de vitamina D antes do tratamento e maior perda de peso durante o uso de semaglutida. A pesquisa foi apresentada no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia e publicada na Frontiers in Nutrition.
Os pesquisadores de Israel avaliaram pacientes que começaram a usar semaglutida e já tinham medido no sangue a 25-hidroxivitamina D. Os participantes foram classificados conforme o resultado: abaixo de 15 ng/mL, entre 15 e 25 e acima de 25 ng/mL.
Após ajustes estatísticos, o grupo com mais de 25 ng/mL apresentou redução adicional de 1,29 ponto no índice de massa corporal em comparação com quem tinha menos de 15 ng/mL. Para uma pessoa de 1,70 metro, a diferença corresponderia a cerca de 3,7 quilos.
A relação também apareceu no controle da glicose, mas em proporção menor. A diferença na hemoglobina glicada foi de aproximadamente 0,1 ponto percentual. Não houve diferença no colesterol entre os grupos.
Associação não prova efeito do suplemento
O trabalho foi observacional: os pesquisadores analisaram dados de pessoas que já apresentavam níveis diferentes de vitamina D, sem sortear participantes para receber a substância ou placebo. Por isso, o resultado não demonstra que tomar vitamina D faça a semaglutida funcionar melhor.
Os grupos também tinham características distintas antes do início do tratamento. Quem apresentava mais vitamina D era mais velho, tinha menor peso, melhor controle do diabetes e colesterol mais baixo. Dieta, atividade física, exposição ao sol, dose da semaglutida e uso de suplementos não foram avaliados adequadamente.
A vitamina D possui receptores em várias partes do corpo, e pesquisas anteriores apontam possíveis relações com a secreção e a sensibilidade à insulina, além de processos inflamatórios. Ainda assim, estudos sobre o uso da substância para emagrecimento têm resultados divididos e não estabeleceram benefício claro.
Para verificar se a correção da deficiência altera a resposta ao medicamento, seria necessário acompanhar pessoas com níveis baixos de vitamina D que iniciem a semaglutida. Parte delas receberia a vitamina e outra parte, placebo.
A orientação atual é conversar com um médico quando houver deficiência e indicação de tratamento. O estudo não permite afirmar que elevar a vitamina D no sangue aumentará o efeito da semaglutida.








