Uma análise do corpo de Maria Branyas, que morreu aos 117 anos, identificou sinais de envelhecimento avançado combinados com características associadas à proteção do organismo. A espanhola morreu em agosto de 2024 e foi uma das pessoas mais longevas já registradas.
O estudo foi liderado por pesquisadores do Instituto de Pesquisa da Leucemia Josep Carreras, na Espanha, e publicado na revista Cell Reports Medicine em outubro de 2025. A equipe reuniu diferentes tipos de dados biológicos para investigar o envelhecimento em idades extremas.
Entre as marcas esperadas para essa faixa etária estavam telômeros curtos, associados ao desgaste celular, além de inflamação no sistema imunológico e envelhecimento de células de defesa. Esses fatores costumam estar relacionados ao aumento do risco de doenças e à perda de funções do organismo.
Ao mesmo tempo, os cientistas encontraram elementos considerados protetores. O corpo apresentava traços ligados à proteção do cérebro e do coração, níveis baixos de inflamação e um microbioma intestinal dominado por bactérias consideradas benéficas. Marcadores epigenéticos também apontaram uma idade biológica inferior à idade cronológica.
Envelhecimento em ritmos diferentes
Para os autores, os resultados indicam que o envelhecimento não segue um padrão único. Sistemas diferentes do corpo podem envelhecer em velocidades distintas, o que ajudaria a explicar como algumas pessoas chegam a idades muito avançadas apesar do desgaste biológico.
A ausência de doenças graves no caso analisado também permitiu observar o processo de envelhecimento com menos interferências. Os dados levantam ainda questões sobre alterações no sistema sanguíneo, que costumam estar relacionadas a cânceres hematológicos, e sobre o motivo de isso não ter ocorrido com Maria Branyas.
Os pesquisadores afirmam que não é possível relacionar os resultados a hábitos específicos. Alimentação, relações sociais e ausência de comportamentos de risco aparecem como possíveis fatores para futuras investigações. A análise amplia o estudo da longevidade e mostra que desgaste e mecanismos de proteção podem coexistir no organismo.








