Neutrófilos, células de defesa geralmente ligados à inflamação no início de um AVC, contribuíram para a reconstrução do tecido cerebral em uma etapa posterior do processo, segundo testes com animais. A descoberta faz parte de um estudo da Universidade Duke, nos Estados Unidos, sobre um biomaterial injetável para áreas lesionadas por AVC isquêmico.
Quando um coágulo interrompe o fluxo de sangue no cérebro, parte do tecido pode morrer e deixar uma cavidade. Mesmo com a circulação normalizada, essa região não se recupera sozinha. O material desenvolvido pelos pesquisadores é aplicado nesse espaço e forma uma estrutura porosa, que serve de suporte para a chegada de células e a reorganização do tecido.
A equipe adicionou ao biomaterial sinais biológicos capazes de atrair células do sistema imune e estimular a criação de vasos sanguíneos. Quando a presença dos neutrófilos foi reduzida, houve menor formação de vasos e menos reorganização na área afetada.
“O resultado sugere que o papel dessas células depende do momento e do ambiente em que atuam”, afirmou a pesquisadora Shangjing Xin.
Efeitos observados nos animais
Além da resposta imunológica, o tratamento estimulou o crescimento de vasos sanguíneos e fibras nervosas no local da lesão. Os ratos tratados também apresentaram melhora na mobilidade. Em testes de caminhada, o desempenho ficou semelhante ao de animais sem lesão após algumas semanas.
Os pesquisadores verificaram ainda que os sinais biológicos não produziram o mesmo efeito quando foram aplicados sem o biomaterial. O resultado indica que a estrutura física participa do processo de recuperação.
“Nosso objetivo é modificar o local da lesão para que diferentes processos de reparo ocorram ao mesmo tempo”, explicou a engenheira biomédica Tatiana Segura, que lidera o estudo.
Os resultados foram publicados na revista Cell Biomaterials em 21 de julho. A pesquisa ainda está em fase pré-clínica e precisa de novos testes para avaliar a segurança e esclarecer a participação de diferentes células. A equipe também estuda usar células humanas em laboratório para produzir os sinais biológicos do material.








