MILÃO — O número de casos de diabetes tipo 2 evitados com atividade física pode ser maior entre idosos, mesmo quando a redução proporcional do risco é menor nessa faixa etária. Essa é uma das conclusões de um estudo apresentado na Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD).
A pesquisa foi conduzida por pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Leiden, na Holanda, com dados de 87.975 adultos sem histórico de diabetes. Os participantes integravam o UK Biobank, banco de dados de saúde pública do Reino Unido, e foram acompanhados por uma média de 7,7 anos.
Nesse período, 2.140 participantes (2,4%) desenvolveram diabetes tipo 2. Foram 748 casos entre 44.020 pessoas do grupo com maior volume de atividade física moderada a vigorosa e 1.392 entre 43.955 participantes do grupo com menor volume.
Volume de atividade
O grupo com maior volume tinha uma mediana geral de 409 minutos semanais de atividade física moderada a vigorosa. No grupo com menor volume, a mediana foi de 121 minutos. Os participantes que não alcançaram 150 minutos por semana apresentaram o dobro do risco relativo de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação com aqueles com nível mais alto de atividade.
Entre adultos com menos de 63 anos, a média de 121 minutos semanais esteve associada a mais que o dobro do risco observado entre aqueles com média de 409 minutos. Já entre pessoas com 63 anos ou mais, níveis menores de atividade foram associados a um risco relativo 65% maior.
A análise levou em conta idade, sexo, etnia, escolaridade, nível de privação socioeconômica, tabagismo, duração do sono e histórico familiar de diabetes.
Horário do exercício
Também houve diferença conforme o período do dia. Adultos que concentravam a maior parte da atividade entre 13h e meia-noite apresentaram risco relativo 10% menor do que aqueles que se exercitavam entre 5h e antes de 13h.
Para registrar a rotina, os participantes usaram um acelerômetro no pulso durante sete dias consecutivos. A atividade foi classificada como baixa ou alta de acordo com a média semanal de minutos de exercício moderado a vigoroso em cada faixa etária.
Segundo Qiuyu Feng, autora do estudo, a avaliação deve considerar tanto o risco relativo quanto a diferença absoluta de casos. “O risco relativo, por si só, não capta o quanto a atividade física poderia ajudar a reduzir o número de casos em diferentes grupos populacionais”, afirmou Feng.
A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana para adultos. Para idosos, a orientação é a mesma ou de 75 a 150 minutos de atividade física aeróbica de vigorosa intensidade.








