A execução correta dos exercícios, a escolha da carga e o respeito à capacidade individual são importantes para reduzir o risco de lesões durante a musculação. Postura, respiração e velocidade do movimento ajudam a manter o controle e a direcionar o esforço para a musculatura trabalhada.
Entre as regiões mais relatadas em lesões estão o ombro, com 31,1%, a coluna lombossacral, com 29,1%, e o joelho, com 14,9%. O ortopedista Lúcio Gusmão, fundador da Rede CADE (Centro Avançado de Dor e Especialidades), afirma que a musculação não é uma atividade perigosa quando realizada de forma adequada.
Lesões musculoesqueléticas podem ter vários fatores envolvidos, como sobrecarga, recuperação insuficiente, condicionamento inadequado, uso frequente de cargas elevadas e problemas na técnica. Para Gusmão, a progressão deve ser compatível com a capacidade, a técnica e a recuperação de cada pessoa.
Sinais durante o exercício
A profissional de Educação Física Amila Wandekoken aponta três aspectos para avaliar o movimento: postura, respiração e cadência. Dor articular, compensação excessiva e perda de controle são sinais de alerta. A compensação acontece quando o corpo usa outros músculos ou articulações para concluir o exercício.
A carga deve permitir completar as repetições com postura, amplitude e controle. Se a pessoa precisa modificar demais o movimento para terminar a série, o peso pode estar acima do adequado. Uma dor que surge desde as primeiras repetições e aumenta com perda de controle também merece atenção.
No agachamento, erros frequentes incluem desalinhamento dos joelhos e inclinação excessiva do tronco. A orientação é manter a coluna neutra, o abdômen contraído e os pés apoiados no chão. Os joelhos devem acompanhar a direção das pontas dos pés, enquanto o quadril é levado para trás durante a descida, sem exageros.
A supervisão profissional é especialmente importante para iniciantes, na introdução de exercícios e durante aumentos de carga. O acompanhamento permite ajustar o exercício, a progressão e a carga ao condicionamento, ao histórico e ao objetivo de cada pessoa.
Quando procurar avaliação
Uma dor súbita, intensa e localizada deve levar à interrupção do movimento, principalmente se houver perda de força ou função, inchaço, instabilidade, dormência, formigamento ou dificuldade para movimentar uma articulação.
No ombro, dor persistente, perda de força ou dificuldade para levantar o braço exigem atenção. No joelho, inchaço importante, travamento, instabilidade ou dificuldade para apoiar o membro precisam ser investigados. Na região lombar, dor irradiada para a perna com dormência, formigamento ou perda de força também requer avaliação.
Alterações do controle urinário ou intestinal, perda de sensibilidade na região perineal e déficit neurológico progressivo exigem atendimento médico rápido. Sentir dor não significa abandonar definitivamente a musculação: pode ser necessário reduzir temporariamente a carga, modificar o volume ou a amplitude, substituir um exercício ou buscar avaliação profissional.








