A queda no número de filhos acompanha mudanças na educação, no trabalho e na autonomia das mulheres brasileiras. Até a década de 1960, elas tinham, em média, mais de seis filhos. Em 2022, o índice chegou a 1,55 filho por mulher, segundo dados do IBGE.
A formação das famílias também mudou. Pesquisadores apontam que há menos casamentos, enquanto aumentou o número de pessoas que moram sozinhas ou com os pais. Nas novas gerações, também são menos numerosos os filhos.
Educação e escolhas
As histórias de três gerações mostram como o acesso ao estudo ampliou as possibilidades de decisão. Lilian, da geração X, priorizou a formação profissional e adiou a maternidade. Ela teve a primeira filha aos 34 anos, quando essa idade ainda era considerada tardia. Hoje, avalia que ter filhos mais tarde se tornou mais comum.
A trajetória de Vilma também ilustra a mudança. Uma bisavó da família teve 19 filhos, enquanto Vilma teve apenas uma filha. Ela concluiu o ensino médio; a filha alcançou o pós-doutorado e se tornou professora da USP. “Tenho muito orgulho dessa história. Eu criei ela sozinha”, afirmou Vilma.
Segundo os especialistas citados, a ampliação do acesso à educação foi central para que as novas gerações passassem mais tempo estudando e tivessem mais possibilidades de escolha.
Relacionamentos e envelhecimento
As transformações chegaram às expectativas sobre casamento e maternidade. Divorciada, Lilian vive uma união estável, mas mora em uma casa diferente da do companheiro. Para ela, diminuiu a pressão para casar e ter filhos. “O essencial era buscar uma certa independência, buscar estudar, tentar equilibrar mais e não só que a mulher foi feita para casar e ter filhos”, disse.
Maria, da geração baby boomer, se casou aos 17 anos sob regras mais rígidas para os relacionamentos. Depois de ter filhos, formou-se em fisioterapia. Após ficar viúva, descobriu o turismo de aventura e passou a viajar sozinha de carro por diferentes países e estados brasileiros.
As experiências mostram que cada geração ampliou as possibilidades da seguinte, com mudanças na forma de definir família, carreira, trabalho e independência. Persistem desafios e desigualdades, mas as mulheres passaram a ter mais espaço para decidir os rumos da própria vida.








