Uma versão adaptada da niclosamida reduziu o tamanho e a quantidade de lesões semelhantes às da endometriose em camundongos. Em parte dos animais, nenhuma lesão foi detectada duas semanas após a aplicação. Os testes também apontaram menor sensibilidade à dor.
O resultado ainda não indica eficácia em pessoas. O estudo teve um número pequeno de animais e acompanhou os efeitos por um período curto. Também não foram avaliadas a segurança do uso prolongado, aplicações repetidas ou a resposta em humanos.
Como a estratégia funciona
A equipe usou uma estrutura molecular chamada dendrímero para transportar o medicamento. O composto recebeu ácido fólico, capaz de se ligar a um tipo específico de célula do sistema imune, e foi conectado à niclosamida, fármaco usado para eliminar tênias.
A proposta é direcionar a substância aos macrófagos associados às lesões. Essas células podem liberar sinais inflamatórios e contribuir para o crescimento de tecido fora do útero. Pesquisas anteriores já haviam indicado um possível efeito da niclosamida contra a endometriose, mas era necessário encontrar uma forma de fazê-la chegar às células envolvidas na manutenção da doença.
O que é a doença
A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, que reveste o útero, cresce em outras partes do corpo, como ovários e intestino, formando lesões. A condição afeta cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva.
Entre os sintomas estão cólica menstrual intensa, dor pélvica crônica, dor durante a relação sexual com penetração, infertilidade e queixas intestinais e urinárias com padrão cíclico. A doença também pode interferir na saúde mental, na vida sexual, nas relações pessoais, no trabalho e na renda. As causas ainda não são completamente conhecidas, e o diagnóstico definitivo só é possível por meio de laparoscopia.
O trabalho foi publicado em 30 de agosto na revista Advanced Healthcare Materials. Para Kanako Hayashi, da Universidade Estadual de Washington, nos Estados Unidos, a pesquisa permanece em fase pré-clínica. Novos testes e aprovação para ensaios em humanos são necessários antes de qualquer uso clínico.








