Uma revisão publicada na revista científica Nutrition Research Reviews avaliou se nutrientes e compostos bioativos do pistache podem favorecer o sono. Os autores consideram a oleaginosa um alimento promissor, mas afirmam que ainda são necessários ensaios clínicos em humanos para verificar efeitos diretos sobre o ciclo do sono.
O pistache contém triptofano, vitamina B6, magnésio, fibras, compostos fenólicos e melatonina de origem vegetal. Esses componentes estão relacionados a processos como produção de melatonina, modulação da microbiota intestinal e comunicação entre intestino e cérebro.
A revisão reuniu principalmente evidências sobre os componentes do alimento isoladamente, e não sobre o consumo específico de pistache. Por isso, Maria Fernanda Naufel, coordenadora do Núcleo de Nutrição da Academia Brasileira do Sono (ABS), afirma que ainda é cedo para dizer que a oleaginosa melhora o sono. Segundo ela, nenhum alimento sozinho regula um processo afetado por diversos fatores.
Nutrientes e evidências
Uma porção de cerca de 28 g fornece aproximadamente 40% da quantidade diária recomendada de vitamina B6. A vitamina participa da síntese do GABA, neurotransmissor associado ao relaxamento necessário para dormir. Ainda assim, nenhum estudo avaliou especificamente o efeito da B6 do pistache sobre parâmetros do sono, e os resultados sobre sua relação com a produção de melatonina são controversos.
Dados do Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES) associaram níveis mais altos de um biomarcador da vitamina B6 a uma duração adequada do sono. Já a pesquisa Nurses’ Health Study, com aproximadamente 1 000 mulheres americanas de 25 a 55 anos, não encontrou relação entre a ingestão da vitamina e a síntese de melatonina.
A revisão também cita que o pistache pode conter até 660 nanogramas (ng) de fitomelatonina por grama. Uma porção de aproximadamente 28 gramas poderia fornecer cerca de 18,7 μg da substância. Os valores, porém, variam conforme o cultivo e o processamento, e ainda não está claro quanto é absorvido pelo organismo.
Naufel considera razoável incluir diariamente cerca de 25 a 30 gramas, o equivalente a um pequeno punhado sem casca, preferencialmente sem adição de sal. Essa quantidade é uma referência nutricional, não uma dose comprovada para melhorar o sono. Também não há evidências suficientes sobre um horário ideal de consumo, embora a recomendação usual seja no final do dia.
Para estabelecer uma relação causal, os pesquisadores defendem estudos randomizados e controlados que comparem consumidores regulares de pistache com pessoas que não consomem o alimento. As pesquisas deveriam analisar duração e qualidade do sono, tempo para adormecer, despertares noturnos, diferentes quantidades consumidas e possíveis alterações nos níveis de melatonina.








