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Saúde

Racionamento de açúcar na infância é associado a menor ansiedade na vida adulta

Estudo da Universidade de Surrey analisou 46.448 pessoas e relacionou a exposição precoce ao açúcar a ansiedade e preferência por doces.

Racionamento de açúcar na infância é associado a menor ansiedade na vida adulta
Foto: Reprodução/Getty Images

Pessoas que passaram por períodos mais longos de restrição ao açúcar nos primeiros anos de vida apresentaram menor risco de ansiedade e menor preferência por alimentos doces na idade adulta. A associação foi identificada em uma pesquisa da Universidade de Surrey com 46.448 participantes do UK Biobank.

Os participantes nasceram entre 1951 e 1956, quando o Reino Unido mantinha o racionamento de alimentos adotado durante a Segunda Guerra Mundial. A restrição ao açúcar terminou em setembro de 1953, e o consumo médio praticamente dobrou naquele momento.

Resultados sobre ansiedade e depressão

Entre os participantes, 37.229 integravam grupos submetidos ao racionamento de açúcar e 9.219 nunca haviam passado pela restrição. Durante um acompanhamento médio de 15 anos, 2.776 pessoas apresentaram episódios de ansiedade e 3.147 tiveram episódios de depressão.

O risco de ansiedade ficou entre 5,45% e 6,29%. Os menores percentuais foram observados entre aqueles expostos ao racionamento desde o período no útero até os 18 ou 24 meses de idade. O índice foi maior entre os nascidos depois do fim do racionamento de açúcar.

Também foi identificada uma associação entre a exposição precoce ao açúcar e a depressão. No entanto, essa relação perdeu significância após o ajuste estatístico, o que, para os pesquisadores, indica que a dieta na idade adulta poderia “amenizar” parcialmente o risco.

A pesquisa dividiu os participantes conforme a duração da restrição: apenas durante a gestação, até os seis meses de idade, até os 12 meses, até os 18 meses ou até os 24 meses. A análise incluiu ainda pessoas nascidas imediatamente após o fim do racionamento de açúcar e crianças nascidas na Irlanda depois do encerramento de todo o racionamento de alimentos.

Alterações no cérebro

Os pesquisadores avaliaram marcadores de neurodesenvolvimento, incluindo o volume de substância cinzenta e vias inflamatórias. Das 139 regiões cerebrais analisadas quanto ao volume de substância cinzenta, 80 apresentaram diferenças significativas entre os grupos.

Em análises adicionais, foram encontradas diferenças em 11 das 80 regiões entre a maioria dos grupos submetidos ao racionamento e o grupo que nunca passou pela restrição. Entre as áreas estavam o tronco encefálico e regiões do cerebelo.

O estudo afirma que a restrição precoce esteve associada a diferenças duradouras na preferência pelo sabor doce e em desfechos psiquiátricos. Os autores também apontam que apenas 9% das crianças e 19% dos adultos seguem os níveis recomendados de ingestão de açúcares livres, enquanto a média de consumo na maioria das faixas etárias fica em torno do dobro do limite recomendado.

A pesquisa foi publicada na revista Translational Psychiatry. Os autores defendem novos estudos, incluindo análises de epigenética, para investigar como a nutrição nos primeiros 1 000 dias de vida poderia influenciar a resiliência psiquiátrica.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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