O rastreamento e o diagnóstico precoce são as medidas que mais podem reduzir casos graves e mortes por câncer, na avaliação de Hesham Abdullah, vice-presidente sênior e chefe global de Pesquisa e Desenvolvimento em oncologia da GSK. Para ele, a identificação dos tumores nos estágios 1 ou 2 permitiria tratar mais pacientes com intenção curativa, em vez de apenas controlar a doença.
Abdullah liderou o desenvolvimento e o registro de 13 medicamentos contra o câncer e acompanha há mais de 20 anos a evolução de terapias como imunoterapias e anticorpos conjugados. Ao ser questionado sobre qual área escolheria se tivesse apenas uma opção para salvar mais vidas, respondeu: “Rastreamento e diagnóstico precoce”.
A experiência profissional também foi influenciada pela história familiar. Em 2005, o pai do médico recebeu o diagnóstico de câncer colorretal em estágio avançado. Abdullah alternava entre as decisões sobre tratamentos, cirurgias e ensaios clínicos e os cuidados em casa, incluindo o controle de náuseas, vômitos e fadiga. O pai morreu após três anos e meio; a irmã se recuperou.
“Isso me deu uma visão única sobre como os efeitos colaterais impactam a vida diária e o bem-estar da família”, afirmou. Nos últimos 15 anos, ele acompanhou a personalização dos tratamentos e o desenvolvimento de medicamentos capazes de atacar o tumor e preservar tecidos saudáveis.
Acesso e aumento dos casos
Apesar dos avanços, o acesso às novas tecnologias é um dos principais gargalos, porque os tratamentos são caros e os preços não caem na mesma velocidade do desenvolvimento científico. Abdullah também afirmou que a incidência do câncer aumenta em todo o mundo por fatores como dieta, estilo de vida e ambiente.
O cientista apontou ainda uma tendência de crescimento dos diagnósticos em pessoas com menos de 50 anos. De acordo com ele, esse número deve dobrar nos próximos dez anos.
A GSK estabeleceu a meta de impactar 2,5 bilhões de pessoas até 2031 com seus medicamentos. Entre as estratégias estão tecnologias escaláveis, como comprimidos e infusões ambulatoriais que não exigem hospitalização complexa.
Pesquisas no Brasil
Abdullah esteve duas vezes no Brasil. Na visita mais recente, em agosto passado, conheceu hospitais públicos e privados, incluindo o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Ele afirmou ter ficado impressionado com a infraestrutura, a especialização dos médicos e a capacidade de atendimento. Também disse que o setor público trata cerca de 75% da população e é visto pela GSK como uma área para futuras colaborações.
A empresa mantém mais de 120 centros de pesquisa clínica em oncologia ativos no país e planeja ampliar esse número, inclusive com estudos de fase 3.








