A redução de 70% no preço das canetas antiobesidade em menos de um ano levou o Ministério da Saúde a pedir à Conitec a análise da incorporação de tratamentos à base de liraglutida e semaglutida no SUS. A pasta atribui a queda ao aumento da concorrência após a perda da patente da semaglutida, ocorrida em março.
O pedido foi formalizado nesta quinta-feira, 24, e prevê a avaliação da oferta dos medicamentos para pessoas que vivem com obesidade. A análise será feita pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde.
Quem poderá ser priorizado
Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que pacientes do SUS com obesidade receberiam o tratamento mediante prescrição médica, sem indicar quando isso ocorreria. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a oferta deverá priorizar pessoas com obesidade grave, doenças associadas, problemas cardiovasculares ou indicação para cirurgia bariátrica. Mulheres que tiveram câncer de mama também estão entre os grupos citados, para avaliar se o medicamento pode reduzir o risco de retorno do tumor.
Padilha disse que o objetivo não é promover um “milagre estético”, mas tratar uma doença crônica. O ministério apresentou como fundamento a recomendação da Organização Mundial da Saúde sobre o acesso equitativo a terapias baseadas em agonistas do GLP-1, como liraglutida, semaglutida e tirzepatida.
A pasta informou que a prevalência da obesidade no Brasil aumentou de 11,8%, em 2006, para 25,7%, em 2024. Em nota, declarou que a primeira diretriz da OMS sobre o uso dessas terapias em escala populacional foi publicada no final de 2025.
Estudo em Porto Alegre
Enquanto a incorporação é analisada, o uso de semaglutida no SUS ocorre em um projeto-piloto chamado Real-Bari. O estudo, realizado pelo Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre (RS), terá duração prevista de dois anos e acompanhará 250 pacientes com obesidade grave.
Os participantes têm comorbidades, indicação para cirurgia bariátrica, diagnóstico estabelecido há mais de um ano e histórico de falha no tratamento convencional por ao menos dois meses. Segundo o ministério, esse perfil corresponde a 91% dos pacientes com obesidade grau 3. Nessa classificação, o índice de massa corporal é superior a 40 ou está acima de 35 com doenças relacionadas.
Próximas etapas
A Conitec é a primeira etapa para eventual chegada da semaglutida à rede pública. A comissão já havia negado um pedido da Novo Nordisk, considerando um impacto orçamentário de mais de R$ 8 bilhões. Em junho, a empresa reapresentou a solicitação com desconto de 59% para o governo e restringiu o público a pessoas com mais de 45 anos, obesidade, sem diagnóstico de diabetes e histórico de infarto.
Mesmo com eventual aval da comissão, ainda será necessário definir os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas, que indicarão como o medicamento será administrado. O Ministério da Saúde terá prazo de 180 dias para efetivar a oferta.
A pasta informou ainda que 25 canetas emagrecedoras já foram registradas no país, sendo 14 delas em 2026, incluindo versões nacionais e medicamentos genéricos.







