Mudanças no comportamento, como irritação acima do habitual, isolamento e esquecimentos, podem indicar sofrimento emocional. Esses sinais merecem atenção principalmente quando se repetem, ganham intensidade ou começam a prejudicar a rotina, as relações e o autocuidado.
Tristeza, ansiedade, medo e estresse fazem parte da vida e, sozinhos, não caracterizam um transtorno. A avaliação considera a intensidade das emoções, a frequência com que aparecem e o impacto no funcionamento da pessoa. “Mais do que perguntar há quanto tempo a pessoa está triste ou ansiosa, é preciso observar intensidade, persistência e impacto no funcionamento”, explica a psicóloga Marcelle Passarinho Maia, coordenadora de psicologia do Hospital Santa Lúcia.
Alterações que podem ser discretas
O sofrimento nem sempre é percebido de imediato. Dificuldade de concentração, queda de produtividade, cansaço frequente, perda de interesse por atividades e mudanças no sono ou no apetite estão entre os sinais possíveis. Uma pessoa comunicativa pode passar a se isolar, enquanto alguém organizado pode deixar de realizar tarefas simples.
Manter as atividades do dia a dia também não significa necessariamente estar bem. Algumas pessoas continuam funcionando, mas fazem isso com esforço emocional elevado.
Por que a ajuda pode demorar
A dificuldade de reconhecer o problema pode estar ligada à tentativa de minimizar o que se sente ou à ideia de que a situação é apenas uma fase. O psiquiatra Matheus Cheibub, do Hospital Sírio-Libanês, afirma que a negação e a racionalização podem surgir quando o sofrimento é associado à fraqueza. O estigma relacionado aos transtornos mentais também pode atrasar a busca por apoio.
Quando buscar avaliação
A orientação é procurar avaliação quando houver sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou familiar. Também indicam necessidade de apoio os sintomas persistentes, o aumento da intensidade, a piora na qualidade de vida, as dificuldades nas relações, a queda no autocuidado e o uso de álcool ou outras substâncias para lidar com as emoções.
A identificação precoce permite intervir antes que o sofrimento aumente. Para Marcelle, o cuidado em saúde mental não deve ser reservado apenas a situações graves e também pode ter caráter preventivo.








