Confusão mental, sonolência excessiva, desmaio, convulsões, dificuldade para respirar, dor no peito e perda de consciência são sinais de que uma alteração extrema da temperatura corporal pode exigir atendimento imediato. Idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças cardíacas ou neurológicas estão entre os grupos que precisam de atenção maior.
A orientação é acionar o serviço de emergência, manter a pessoa em local seguro e acompanhada e, se houver inconsciência, não oferecer líquidos, alimentos ou medicamentos pela boca. Na falta de respiração, devem ser feitas manobras de ressuscitação cardiopulmonar conforme as orientações do serviço de emergência. Soluções caseiras e medicamentos por conta própria não são recomendados, principalmente quando há sinais de alterações neurológicas ou cardiovasculares.
Como o corpo reage
A temperatura corporal considerada normal varia entre 36,5 ºC e 37,2 ºC. Quando há queda brusca, o organismo tenta conservar calor contraindo os vasos sanguíneos da pele, o que provoca tremores. Se a resposta não for suficiente, cérebro, coração e respiração passam a funcionar mais lentamente. O quadro pode causar confusão mental, sonolência e perda de consciência.
A médica emergencista Nathalia Serrato, do Hospital DF Star, em Brasília, alerta: “O coração também sofre bastante. Os batimentos ficam mais lentos e, nos casos graves, podem surgir arritmias e até parada cardíaca”.
Na hipertermia, o corpo aumenta a circulação sanguínea e produz suor para eliminar calor. O coração acelera, enquanto a perda contínua de água e sais minerais pode provocar queda de pressão e comprometer a circulação.
O cardiologista Armindo Jreige, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, explica que, em situações de calor extremo, “o cérebro é especialmente vulnerável, podendo ocorrer confusão, convulsões, perda de consciência e coma”. Também podem ser afetados rins, fígado, músculos, coração e o sistema responsável pela coagulação do sangue.
Gravidade depende da evolução
Especialistas afirmam que hipotermia e hipertermia podem causar consequências severas, incluindo falência de órgãos e morte. A gravidade depende de quanto a temperatura se afastou do normal, do tempo de exposição e das condições de saúde da pessoa.
A hipertermia grave pode evoluir rapidamente quando o calor intenso se combina com esforço físico ou desidratação. A hipotermia também pode avançar depressa, mas costuma ter progressão mais lenta. Em condições normais, a queda da temperatura reduz o metabolismo e a necessidade de oxigênio do cérebro e de outros órgãos.
Além dos sintomas, o comportamento e o estado geral da pessoa devem ser observados, e não apenas o número indicado no termômetro.








