Um estudo da Universidade de Oxford relacionou o consumo de bebidas muito quentes a um risco três vezes maior de carcinoma espinocelular do esôfago, em comparação com bebidas mornas. A análise também associou o consumo de seis ou mais bebidas quentes por dia a um aumento de 71% no risco desse tipo de câncer.
A pesquisa reuniu dados de cerca de 980.000 adultos do Reino Unido, participantes do Million Women Study (MWS) e do UK Biobank. Eles informaram a temperatura em que preferiam tomar chá e café e a quantidade consumida diariamente.
O risco relativo de carcinoma espinocelular aumentou nas duas coortes conforme subia a temperatura relatada para as bebidas. Não foi identificada associação entre a temperatura e o adenocarcinoma do esôfago. O resultado não mudou conforme o tipo de bebida, o que levou os pesquisadores a apontar a temperatura do líquido, e não seus componentes, como o fator relacionado ao risco.
No Million Women Study, os participantes foram acompanhados por 14 anos. Nesse período, foram registrados 799 casos de carcinoma espinocelular e 617 de adenocarcinoma. No UK Biobank, o acompanhamento médio foi de 11 anos, com 246 casos do primeiro tipo e 686 do segundo.
Limitações e possível prevenção
A temperatura foi informada pelos próprios participantes, sem medição absoluta. O estudo também afirma que percepções sobre o calor podem variar entre populações e ao longo do tempo. Por isso, os autores consideram limitado o uso de um único ponto de corte, como 65ºC, para representar as exposições do dia a dia.
Além da temperatura, o risco maior costuma aparecer associado à frequência de queimaduras na boca, à ingestão mais rápida e ao menor tempo de espera antes de beber. O mecanismo mais provável seria a lesão térmica nas células escamosas dos dois terços superiores do esôfago.
A pesquisa estima que 14% dos casos de câncer do esôfago poderiam ser prevenidos se pessoas que consomem bebidas muito quentes passassem a consumi-las mornas. Isso equivaleria a 440 casos a menos por ano. Os autores afirmam que reduzir ainda mais a temperatura poderia evitar uma proporção maior de casos de carcinoma espinocelular.








