A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou que a mamografia digital terá cobertura para todas as pessoas que precisarem do exame, conforme prescrição médica, sem restrições de idade ou gênero. A mudança entra em vigor a partir de 1º de outubro.
A decisão foi tomada durante a Reunião Extraordinária da Diretoria Colegiada de 2026, realizada na primeira quinzena de setembro. Antes da atualização, a cobertura obrigatória era destinada a mulheres entre 40 e 69 anos.
A oncologista Gabrielle Scattolin, especialista em câncer de mama do Hospital Brasília e integrante da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), afirmou que é frequente atender e diagnosticar a doença em mulheres na faixa dos 30 anos.
“Não significa que todas as mulheres muito jovens devam fazer mamografia de rotina”, explicou Gabrielle. Segundo ela, quando há sintomas, alterações no exame físico, histórico familiar ou risco aumentado, a idade não deve impedir o acesso ao exame.
A médica também relacionou a ampliação da investigação à possibilidade de diagnósticos mais precoces e de tratamento curativo. De acordo com Gabrielle, pacientes jovens frequentemente chegam ao atendimento com tumores maiores e doença mais avançada, e o estágio do câncer tem impacto no tratamento.
Casos em homens
A retirada da restrição de gênero também permite investigar casos suspeitos em homens. O câncer de mama masculino é raro e representa aproximadamente 1% dos casos, mas a possibilidade de cobertura não significa realizar rastreamento indiscriminado em homens sem sintomas.
Para Gabrielle, a mudança facilita o acesso à mamografia digital quando existem alterações suspeitas e indicação médica, sem que o gênero se torne uma barreira administrativa.
A oncologista ressalvou que ainda há diferenças regionais na disponibilidade de equipamentos, no tempo de realização dos exames e no acesso à investigação complementar e à biópsia. Para ela, uma política pública deve garantir não apenas o exame, mas também diagnóstico rápido e início oportuno do tratamento.
Um estudo publicado na revista The Lancet Oncology estima que os casos anuais de câncer de mama podem chegar a 3,5 milhões até 2050. A pesquisa aponta que o aumento tende a ser mais acelerado em países de baixa e média renda, onde o acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequado é limitado.








