A Meta avalia o uso de robôs em data centers nos Estados Unidos para executar tarefas de manutenção, como conectar cabos, manejar servidores e reinstalar peças. Funcionários que participaram dos testes afirmam temer que as máquinas reduzam a necessidade de trabalhadores humanos.
Uma das estimativas citadas por uma fonte é que um robô treinado para trocar cabos de rede possa assumir até 80% da carga de trabalho de algumas pessoas. Um funcionário disse que os trabalhadores responsáveis por tarefas físicas já não se sentem protegidos contra essa possibilidade e afirmou que a mudança poderá afetar todos eles.
Entre os equipamentos testados está a Kinova Gen3. O braço robótico poderá ser usado para reiniciar servidores ou cortar a energia dos aparelhos. A Meta também utiliza máquinas e equipamentos de fornecedores como Watney Robotics e ABB.
Testes em Iowa e Ohio
O principal laboratório de testes da empresa fica no data center de Altoona, em Iowa. Nesse local, um robô de dois braços é avaliado em atividades de cabeamento. Em New Albany, Ohio, a empresa testa um equipamento de quatro rodas, com plataforma elevatória e braço de seis eixos, para reinstalar peças. A máquina poderá receber outras funções com supervisão humana cada vez menor.
A Meta não comentou os testes. O porta-voz Francis Brennan afirmou que a companhia investe em treinamento e contratação para os data centers. Segundo ele, os Estados Unidos enfrentam uma grande escassez de trabalhadores qualificados e precisam de mais pessoas, não menos.
Em 2025, o gerente sênior de robótica da Meta, Eric Xu, teria defendido como objetivo de longo prazo inserir robôs nos data centers. A justificativa é que as máquinas poderiam responder mais rapidamente a acidentes, monitorar o ambiente e fazer manutenção preventiva.
Custos e temor de substituição
A redução do preço do hardware e o avanço da inteligência artificial ampliaram o interesse por robôs comerciais capazes de substituir cabos, montar servidores e trocar peças. A tecnologia também é considerada uma alternativa para regiões menos populosas, onde há data centers, mas faltam trabalhadores qualificados.
Funcionários dizem temer a substituição ou a precarização dos empregos. Um deles afirmou que as empresas querem pessoas capazes apenas de seguir instruções de inteligência artificial, em vez de profissionais que pensem de forma independente, apresentem soluções criativas e façam diagnósticos complexos.
A Meta também recebe benefícios fiscais para construir data centers em determinados estados americanos. Em Altoona, onde inaugurou uma unidade em 2014, a empresa teria economizado milhões de dólares em imposto predial. O prefeito Dean O'Connor disse que não havia pensado muito na substituição de empregos por robôs e afirmou que a cidade lidará com a situação conforme ela acontecer.








