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Tecnologia

Perícia encontra datas apagadas e assinaturas reaproveitadas em documentos do Banco Master

Relatório da Polícia Federal descreve uso de dados reais, automação e edição de PDFs para montar dossiês atribuídos à Tirreno Consultoria.

Perícia encontra datas apagadas e assinaturas reaproveitadas em documentos do Banco Master
Foto: Felipe Cordeiro/g1

A perícia da Polícia Federal encontrou documentos com datas removidas, páginas de assinaturas reaproveitadas e registros digitais incompatíveis com as datas exibidas nas peças relacionadas ao Banco Master. O material foi usado para montar dossiês apresentados como contratos de créditos consignados da Tirreno Consultoria ao Banco de Brasília (BRB).

Em um Termo de Consentimento de Genilson Lima Leal, por exemplo, o registro original de 24/02/2023 13:05 foi apagado visualmente em 3 de julho de 2025, às 15h26. A remoção não eliminou outros vestígios do arquivo nem os dados da assinatura digital.

Marcas deixadas pelas assinaturas

A investigação identificou Cédulas de Crédito Bancário extraídas do sistema idtrust e assinadas no Adobe Acrobat Reader com certificados do Banco Master. Em alguns arquivos, a data escrita indicava 21 de janeiro de 2025, enquanto o registro criptográfico apontava assinatura em 20 de junho de 2025, às 14h02min39s.

A Polícia Federal também analisou uma conversa de 20 de junho em que Allan da Silva Machado pediu a Moacir Lourenço da Silva Junior a retirada de informações dos Termos de Consentimento. “e precisamos excluir a data”, escreveu Allan.

A produção tinha etapas automatizadas. Allan vinculou um modelo do Word a uma planilha e gerou 2.700 procurações em 20 de junho de 2025. A área de tecnologia desenvolveu aplicações em C# capazes de extrair de PDFs a segunda página, usada como página de assinatura.

Um arquivo chamado erros-whatsapp.zip continha 1.833 PDFs com páginas de assinatura isoladas. O material foi enviado por Anderson Juliano Caspinelli Garcia a Moacir Lourenço da Silva Junior.

Dados e montagem dos arquivos

Os dados utilizados vinham de sistemas internos do banco, incluindo informações ligadas ao CredCesta. Em 2 de julho de 2025, às 14h05, Fabrizio Pereira Alencar pediu a Vinicius Lucas Trentino um levantamento de CPFs pelo Microsoft Teams. Vinicius reuniu os dados no arquivo cpf_cessao.csv, consultou a base interna e exportou o resultado para Dados_cessão.xlsx, enviado em 3 de julho, às 16h57.

A planilha reunia nome, CPF, data de nascimento e nome da mãe. Em uma conversa de 20 de junho, Rafael Manfrin da Silva disse que a lista estava “meio furada”, ao apontar inconsistências nos registros.

Depois, Allan usou o PDF24 para reunir CCBs, procurações e Termos de Consentimento em arquivos únicos. Os documentos foram organizados nas pastas Demanda BRB-Tirreno 2700 amostras, Demanda BRB-Tirreno 299 amostras e Demanda BRB-Tirreno 119 amostras.

Comprovantes e auditoria

A alteração também atingiu comprovantes de transferências por SPB e PIX. Em 25 de junho de 2025, Allan discutiu com Romy Goerck Gentina Klenquen a retirada do evento, do número do contrato e do histórico. Entre os registros aparecia a expressão “LIBERAÇÃO CREDCESTA VIA PIX”. Romy afirmou que não conseguiria repetir manualmente o procedimento em 2.700 comprovantes.

As mensagens analisadas ainda mostram preocupação com a auditoria da Deloitte. Em 23 de junho, Fabrizio informou a Alberto Felix de Oliveira Neto que a auditoria cobrava documentos e recebeu como orientação dizer que se tratava de “erro operacional na selecao”.

O relatório técnico-pericial foi elaborado a partir de uma apresentação interna apreendida na área de tecnologia do Banco Master. Intitulado “Investigações internas – Banco Master”, o arquivo tinha 30 slides e registrava atividades realizadas entre 18 de junho e 24 de outubro de 2025.

A investigação também registrou que, em 12 de junho de 2025, Daniel Vorcaro pediu a Alberto um “kit dos 300 com assinatura digital”. Os arquivos foram encaminhados depois, com CCBs, procurações e assinaturas.

A documentação analisada pela PF descreve uma sequência que começava com dados reais, passava pela produção em massa e pela edição de documentos e terminava na reunião das peças em dossiês. A retirada de datas e a diferença entre os registros escritos e digitais, porém, deixaram elementos para reconstruir a cronologia da produção.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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