SÃO PAULO — A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou a ampliação excepcional das operações no aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, após as 23h. A medida permite concluir pousos e decolagens já programados e atrasados no mesmo dia por eventos climáticos ou problemas operacionais significativos.
Em dias normais, permanece o horário de funcionamento entre 6h e 23h. A aplicação da nova regra, porém, depende da elaboração de uma carta de acordo operacional entre o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), a concessionária Aena e as empresas Azul, Gol e Latam.
Critérios para a extensão
A carta deverá estabelecer os critérios objetivos para as prorrogações, incluindo o horário máximo de funcionamento. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), autora do pedido apresentado em maio, sugeriu que a medida fosse aplicada, entre outros parâmetros, a ocorrências que afetassem mais de 600 passageiros de Congonhas.
A Anac informou que a regra só será implementada depois da conclusão do documento. A agência também afirmou que acompanhará os efeitos da medida para avaliar posteriormente possíveis mudanças nas normas do aeroporto.
A decisão busca reduzir impactos na malha aérea e entre passageiros causados por eventos extraordinários, como mau tempo, quando os voos previstos para o dia forem afetados. A área técnica da Superintendência de Infraestrutura Aeroportuária afirmou que o entendimento permite responder a situações com risco de impactos operacionais em cadeia.
Ocorrências registradas
Dados da Aena indicam duas prorrogações de funcionamento em 2026 até junho e outras cinco em 2025. Em 8 de março, um temporal em São Paulo levou a seis pousos e decolagens depois do horário oficial. Em 9 de abril, uma suspeita de vazamento de gás em uma área de controle do tráfego aéreo resultou em 17 chegadas e saídas no período ampliado.
Nesse segundo caso, 178 voos foram cancelados e outros 22 foram alterados. Ao todo, 38.682 passageiros foram afetados na data do incidente e no dia seguinte, conforme a Abear.
A maior prorrogação recente ocorreu entre 10 e 12 de dezembro do ano passado, quando temporais associados a um ciclone atingiram São Paulo. Foram 62 pousos e decolagens fora do horário padrão.
A decisão da diretoria teve votos registrados de 1º a 4 de setembro, em reunião eletrônica. A relatoria foi de Cláudio Beschizza Ianelli, com acompanhamento do diretor-presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, e dos demais integrantes do colegiado. Associações de moradores são contrárias à mudança e temem que as exceções se tornem mais frequentes.








