SÃO PAULO — Trabalhadores dos Correios iniciaram às 22h uma greve por tempo indeterminado após rejeitarem a proposta apresentada pela empresa durante as negociações da campanha salarial. A decisão foi aprovada em assembleias realizadas em praticamente todo o país, segundo a Findect (Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios).
As seis bases filiadas à entidade em São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Santos, Maranhão e Mato Grosso do Sul votaram pela paralisação. Até o balanço divulgado pela federação, 35 assembleias tinham aprovado o movimento; a votação no Acre estava prevista para esta sexta-feira.
Negociações
Um dos principais pontos de divergência é o plano de saúde. A entidade afirma que a direção dos Correios pretende deixar de ser mantenedora do benefício, o que, na avaliação dos trabalhadores, pode afetar o custeio e a assistência médica de empregados, aposentados e dependentes.
A federação também informou que a decisão ocorreu depois de rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A categoria defende a retomada das conversas para buscar uma proposta que preserve direitos trabalhistas e mantenha o modelo atual do plano de saúde.
A direção dos Correios disse que houve avanço nas negociações e que apenas dois pontos permaneciam pendentes entre as 80 cláusulas do acordo coletivo. A proposta previa reajuste equivalente a 100% do INPC sobre salários e benefícios, além da manutenção da assistência à saúde.
A empresa informou ter adotado remanejamento de equipes, reforço operacional e ações logísticas para manter a regularidade dos serviços e reduzir possíveis impactos aos clientes durante a paralisação.
Situação financeira
Cerca de 3,2 mil empregados aderiram ao Programa de Desligamento Voluntário aberto no início do ano, aproximadamente 30% da meta de 10 mil desligamentos. Os Correios abriram outro programa mês passado. A empresa tem 76 mil empregados diretos.
Os Correios tiveram prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026. No segundo trimestre, o resultado negativo foi de cerca de R$ 2,2 bilhões.
O governo incluiu um aporte de R$ 6 bilhões para a ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) na PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual). A empresa também formalizou um pedido de empréstimo de R$ 7 bilhões a bancos privados, operação que depende de aval do Tesouro Nacional.








