SÃO PAULO — A Prefeitura de São Paulo afirma que o prédio que desabou sobre uma casa na Penha, zona leste da cidade, tinha uma obra irregular. O local havia sido interditado, mas a construção continuou mesmo após multas, segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
A edificação começou a ser construída em 2019, sem alvará, de acordo com Nunes. Em 2021, a Procuradoria Geral do Município entrou com uma ação judicial para suspender os trabalhos. A construtora apresentou um novo projeto em 2022, e um alvará foi emitido em 2023 com a exigência de demolição da estrutura existente.
Uma vistoria da Subprefeitura da Penha atestou a demolição em 2024. Porém, técnicos da prefeitura verificaram neste sábado, com vizinhos e imagens de satélites, que a estrutura não havia sido demolida. A servidora responsável pela vistoria foi afastada por 30 dias, informou Daniel Falcão, controlador-geral do Município.
“Ela não pode continuar no cargo nesse momento para não atrapalhar a nossa investigação interna”, disse Falcão. A prefeitura também afirmou que trabalha com a delegada do 24ª Distrito Policial em uma investigação criminal sobre o caso.
Buscas sob os escombros
O desabamento ocorreu por volta das 2h, na rua Tequici. O prédio tinha 11 pavimentos, e os escombros atingiram uma residência vizinha onde moravam nove pessoas. Na noite deste sábado (12), os bombeiros retiraram o corpo de um homem por volta das 23h e localizaram outras duas vítimas sem vida.
Com as três vítimas encontradas nessa etapa e outras duas mulheres localizadas mais cedo, o número de mortos chegou a cinco. Uma das mulheres estava grávida. Uma pessoa continua desaparecida, e um homem e uma menina de 7 anos foram resgatados com vida. Os nomes dos mortos não foram divulgados.
A operação já durava mais de 21 horas. Segundo o coronel Diógenes Lucca, porta-voz do Corpo de Bombeiros, os cães farejadores indicaram o ponto exato onde estava o último corpo localizado. “Estamos aqui para salvar vidas até encontrarmos a última pessoa”, afirmou.
Participam dos trabalhos 59 bombeiros e 20 viaturas, além da Defesa Civil e de agentes da Prefeitura de São Paulo. Lucca disse que as buscas continuarão até a localização do desaparecido, ainda sem previsão de término.
Herbert Chino Choque, 43, relatou que vivia na casa destruída com a mulher, as filhas de 5 e 7 anos e outros cinco parentes e amigos, todos bolivianos. Ele estava fora do imóvel no momento da queda. A residência também funcionava como oficina de costura da família.
A New Home informou que abriu uma apuração interna e declarou não haver elementos para afirmar que o incidente decorreu exclusivamente de conduta da construtora. A empresa disse que prestará apoio às famílias afetadas. O local será periciado após o fim das buscas. A Polícia Civil procura os donos da construtora, enquanto a Defesa Civil avalia se as fortes chuvas podem ter causado a queda.








