A permanência de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) na Presidência do Senado em 2027 é considerada incerta por senadores. A resistência do presidente da Casa em dar andamento a pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal pode favorecer candidatos da oposição, especialmente após as eleições de 2026.
Há 109 solicitações de impeachment protocoladas no Senado. A avaliação entre parlamentares é que Alcolumbre deve evitar uma decisão sobre os processos antes da eleição. O mandato dele termina em 1º de fevereiro de 2027, data prevista para a escolha da nova Mesa Diretora.
Disputa pelo comando do Senado
Para integrantes da oposição, uma composição mais alinhada à direita aumentaria a pressão sobre Alcolumbre. O impeachment de ministros do STF está entre as principais bandeiras desse grupo para as eleições de 2026.
O senador também não tem apoio garantido em diferentes cenários políticos. Se Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vencer a eleição presidencial, Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN) são considerados possíveis concorrentes ao comando do Senado. Rogério Marinho já foi escolhido pelo grupo ligado a Flávio como candidato para 2027.
No governo, a prioridade do PT é a tentativa de conquistar o 4º mandato presidencial de Lula. Ainda assim, Alcolumbre pode ser visto como uma alternativa de conciliação caso o Senado formado após a eleição seja majoritariamente oposicionista. Integrantes do Centrão avaliam que o senador reduziu suas chances ao se afastar da oposição e se aproximar do presidente.
Relação com o Banco Master
A oposição relaciona a postura de Alcolumbre sobre os pedidos de impeachment a interesses políticos e pessoais. Um dos casos mencionados é o da Amprev, fundo previdenciário dos servidores do Amapá que aplicou R$ 400 milhões em letras financeiras do Banco Master.
Jocildo Silva Lemos, ex-tesoureiro de Alcolumbre, está entre os investigados. O irmão do senador, Alberto Alcolumbre, é conselheiro fiscal da Amprev.
A autarquia foi alvo da operação Zona Cinzenta, realizada em fevereiro de 2026. A investigação examina a atuação de gestores na aprovação dos investimentos. Em uma aplicação de R$ 100 milhões, a autorização ficou condicionada somente à realização posterior de uma visita ao banco. A Polícia Federal classificou o procedimento como “atípico”. Os gestores são investigados por possível gestão fraudulenta e temerária.
Relação com Alexandre de Moraes
A proximidade entre Alcolumbre e o ministro Alexandre de Moraes também é apontada pela oposição como motivo para a falta de avanço nos pedidos contra integrantes do STF.
Em 2 de setembro, Alcolumbre disse ter sofrido “muitas agressões” nos dias anteriores, em meio às críticas dirigidas ao ministro. No plenário, ele questionou a responsabilização dele próprio e de Moraes pela destinação de recursos para a produção do filme Dark Horse.
“Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para as mesmas pessoas para fazer um filme e agora o culpado sou eu e o ministro Moraes”, afirmou.
Aproximação com o governo
Alcolumbre busca apoio do governo para continuar na Presidência do Senado. O entorno de Lula avalia que o senador precisará do suporte do Planalto e, em contrapartida, ele tem acelerado a tramitação de propostas prioritárias para o governo.
A reaproximação ocorreu depois de meses de desgaste. A relação piorou quando Jorge Messias, indicado por Lula para uma vaga no STF, foi rejeitado pelo Senado em 29 de abril. Foi a 1ª rejeição de um indicado ao Supremo pela Casa em 132 anos.
Alcolumbre participou das articulações contra Messias depois que Lula decidiu não indicar Rodrigo Pacheco (PSB-MG), aliado e amigo do presidente do Senado, para a vaga.
Cenário eleitoral no Amapá
A situação do grupo político de Alcolumbre também é considerada difícil no Amapá. Clécio Luís (União Brasil), aliado na disputa pelo governo estadual, tem 31% das intenções de voto. Dr. Furlan (PSD) aparece com 62% e pode vencer no 1º turno.
Na corrida ao Senado, Alliny Serrão (União Brasil) está em 4º lugar, com 9%. Randolfe Rodrigues (PT), outro aliado de Alcolumbre, registra 20%. Rayssa Furlan (Podemos) lidera com 33%, enquanto Lucas Barreto (PSD) tem 14%.
O levantamento ouviu 1.600 eleitores de 3 a 7 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número AP-04000/2026.








