SÃO PAULO — A Controladoria Geral do Município de São Paulo prorrogou por até 120 dias o afastamento administrativo da servidora que atestou a demolição de uma estrutura no local onde um prédio em construção desabou, na rua Tequici, na Penha, zona leste. O acidente matou seis pessoas.
A funcionária da Subprefeitura Penha foi ouvida pela controladoria nesta segunda-feira (14). Ela havia feito, em 2024, uma vistoria no endereço e registrado em laudo a demolição da estrutura construída irregularmente. A servidora foi intimada e deve prestar depoimento nesta terça-feira (15). O nome dela não foi divulgado.
A CGM também embargou todas as obras em andamento na capital vinculadas às empresas envolvidas no desabamento. Pedidos de alvará dessas construtoras que ainda estão em análise pela prefeitura foram suspensos.
A gestão Ricardo Nunes informou que a medida pretende preservar o interesse público enquanto são apurados os fatos e eventuais responsabilidades. A controladoria afirmou que outras pessoas podem ser ouvidas durante a investigação e que não divulgará o conteúdo dos depoimentos nem antecipará diligências.
Investigação e situação dos responsáveis
No domingo (13), a Justiça determinou a prisão temporária de três pessoas apontadas pela Polícia Civil como responsáveis pela construtora do prédio. Ronaldo Vivacqua foi preso naquela manhã. A polícia afirma que ele seria um sócio oculto da New Home Construtora.
O engenheiro Cristiano Vivacqua, filho de Ronaldo e responsável legal pela empresa, e Isis Brandão, mulher de Cristiano e também proprietária da construtora, são considerados foragidos. Adelmo Silva, advogado da New Home e dos três investigados, afirmou que uma decisão judicial autorizava as obras e que o casal pretende se apresentar à polícia nos próximos dias.
A Polícia Civil solicitou à Prefeitura de São Paulo todos os documentos relacionados à obra e pediu informações sobre empresas ligadas aos investigados na Junta Comercial do Estado de São Paulo.
Segundo a prefeitura, a construção começou em 2019 e foi interditada após problemas estruturais serem identificados. A construtora continuou os trabalhos mesmo depois de multas, e a Procuradoria Geral do Município entrou com uma ação judicial em 2021 para suspender a obra.
Um novo projeto foi apresentado em 2022, e um alvará emitido em 2023 determinou a demolição da estrutura existente antes da construção de outra. A Polícia Civil informou que essa exigência não foi cumprida. A delegada Deidiene Prado disse que, quando o alvará foi emitido, o prédio tinha cinco andares, e não nove.
O corpo da sexta vítima, de nacionalidade paraguaia, foi liberado para a família. Os corpos de cinco vítimas permanecem no Instituto Médico Legal; quatro foram identificados e aguardam a retirada pelas famílias.








