O reajuste de 15% do Bolsa Família será financiado com a reorganização de despesas, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo ele, o aumento terá impacto superior a R$ 5 bilhões e corresponde à reposição da inflação, sem ganho real.
Durigan disse que o bloqueio de R$ 22 bilhões feito no Orçamento no começo do ano e a redução da fila do INSS devem liberar entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões. Esses recursos poderão ajudar a acomodar a medida. Para 2027, o ministro afirmou que outros gastos poderão ser revistos, mas não detalhou como isso seria feito.
O ministro declarou que o reajuste é compatível com as metas fiscais. Ele afirmou que o Orçamento de 2026 tem espaço para a medida e que, no ano seguinte, será possível alocar recursos de outras áreas. Também disse que o governo passou três anos e meio organizando as contas públicas, após receber um Orçamento com R$ 189 bilhões de déficit.
Dívida pública e programa para consumidores
Durigan afirmou que a trajetória de crescimento da dívida pública em relação ao PIB o preocupa. A previsão apresentada por ele é de estabilização a partir de 2029 e redução em 2030. O ministro disse que gostaria de manter a relação abaixo de 80% do PIB em 2030, ou, no limite, em 80%.
O governo também estuda um programa para dívidas antigas de consumidores. A proposta prevê que o Tesouro Nacional compre os débitos com desconto, que poderia chegar a 95% ou mais, desde que haja espaço no Orçamento e seja realizado um leilão. O consumidor poderia pagar ao governo parte do valor ou ter a dívida quitada pelo Tesouro.
De acordo com Durigan, a proposta está sendo apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como será necessário realizar um leilão, a execução ficaria para o começo do ano que vem, em um eventual novo governo.
Indústria e Correios
Sobre a indústria, o ministro citou a reforma tributária, a abertura de mercados e o acordo com a União Europeia como medidas para ampliar a produtividade e as oportunidades para o setor. Ele também mencionou o Fundo Clima, a Letra de Câmbio de Desenvolvimento e a possibilidade de um Plano Safra da indústria.
Em relação aos Correios, Durigan afirmou que a empresa precisa melhorar custos de pessoal, investimentos em tecnologia e novas frentes de mercado. Segundo ele, haverá um aporte previsto para o ano que vem, mas o compromisso do governo é não colocar novos recursos depois disso. A empresa deverá buscar parcerias com a iniciativa privada e diversificar os serviços.









