SÃO PAULO — A servidora Viviane Rodrigues de Palma negou nesta terça-feira (15) ter atestado a demolição do prédio que desabou na zona leste de São Paulo e matou seis pessoas no sábado (12). Ela foi ouvida pela Polícia Civil, que investiga se houve responsabilidade de integrantes da construtora New Home e da Prefeitura de São Paulo.
Viviane é coordenadora de Planejamento e Desenvolvimento Urbano da subprefeitura da Penha. Ela foi afastada por até 120 dias pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A apuração considera a possibilidade de indiciamento por homicídio com dolo eventual.
A servidora afirmou que seu relatório registrou a derrubada de uma construção anterior ao edifício da New Home. “Em nenhum momento, eu declarei que aquilo [prédio que desabou] tinha sido demolido”, disse. Segundo Viviane, a edificação mencionada no documento era uma casa que existiu no local, e ela não avaliou a segurança do prédio porque isso não estaria entre suas atribuições.
O delegado seccional de Itaquera, Antônio José Pereira, afirmou que a servidora pode ser responsabilizada pelo resultado. “Então, ela pode ter sido responsável pelo resultado morte. Ela vai ser indiciada provavelmente por homicídio”, declarou.
A delegada Deidiene Fialho Eboli, do 24º Distrito Policial, disse que as declarações serão comparadas com processos administrativos e judiciais. Mais de dez testemunhas já prestaram depoimento, e outras ainda serão ouvidas.
Investigação sobre a construtora
A polícia prendeu o empresário Ronaldo dos Santos Vivaqua, apontado como sócio oculto da New Home, responsável pelo empreendimento na rua Tequici, no distrito da Penha. Ele tem 63 anos. O engenheiro Cristiano Salgado Vivaqua, filho de Ronaldo e responsável técnico pela obra, e Isis de Freitas Rodrigues Brandão, esposa dele e sócia-administradora da construtora, são considerados foragidos.
A defesa de Ronaldo pediu soltura ou prisão domiciliar e alegou que não há materialidade para comprovar que ele seja sócio oculto. Também informou que ele tem “grave e documentada condição de saúde”. A defesa dos três não se manifestou nesta terça-feira.
A Prefeitura de São Paulo havia ajuizado uma ação demolitória contra o edifício em 2021, afirmando que a obra colocava em risco moradores, vizinhos e transeuntes. Em 2024, o processo foi extinto sem julgamento de mérito após a emissão de novo alvará.
A Controladoria Geral do Município informou que as declarações de Viviane serão analisadas na sindicância com os demais elementos reunidos. Segundo o órgão, o afastamento tem caráter cautelar e não representa antecipação de responsabilidade.
A gestão Ricardo Nunes determinou na segunda-feira (14) o embargo de todas as obras da New Home e suspendeu pedidos de alvará em tramitação. A medida também alcança a construtora Hastiforme, ligada a um dos suspeitos.








