MILÃO E PARIS — A Armani deve iniciar, nas próximas semanas, negociações formais com LVMH, L’Oréal e EssilorLuxottica sobre a possível venda de uma participação minoritária na empresa. Os três grupos foram indicados como potenciais investidores no testamento de Giorgio Armani.
A operação pode envolver uma participação de 15%, dividida entre os três interessados. O estilista havia orientado os herdeiros a vender essa fatia no prazo de 18 meses após sua morte, depois de manter o controle da empresa por 50 anos.
Reorganização após a morte de Armani
Armani morreu em setembro do ano passado, aos 91 anos. Giuseppe Marsocci, veterano da empresa, assumiu como diretor-presidente um mês depois e passou a elaborar uma nova estratégia com auxílio do Boston Consulting Group.
O plano prevê melhorar o posicionamento das marcas e ampliar a atuação em categorias de margens mais altas, como acessórios. O conselho de administração também foi reformulado, com a entrada de profissionais externos, entre eles Marco Bizzarri, ex-chefe da Gucci, e Federico Marchetti, fundador da Yoox. Leo Dell’Orco passou a presidir o conselho.
O grupo ainda planeja simplificar sua estrutura, que inclui as marcas Giorgio Armani e Emporio Armani, a linha de alta-costura Armani Privé, hotéis, restaurantes e artigos de decoração.
Dario Vitale foi nomeado para revitalizar a Emporio Armani, responsável por quase um terço da receita anual do grupo. A marca teve receita de € 2,2 bilhões no ano, segundo as informações apresentadas, e deve ganhar uma identidade mais clara e jovem. Vitale também supervisionará a expansão da Giorgio Armani em acessórios.
Interesse dos investidores
As negociações, inicialmente previstas para junho, devem ocorrer no fim de setembro ou no início de outubro. A empresa enfrenta uma retração prolongada dos gastos com produtos de luxo. A receita caiu 2,8% em 2025, para € 2,19 bilhões, após recuo de 5% em 2024.
Apesar da queda da receita, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização subiu 3,2%, para € 153 milhões, influenciado por cortes de custos e pelo desempenho da Armani Privé.
A EssilorLuxottica mantém um contrato de licenciamento com a Armani até 2038, enquanto o acordo da L’Oréal com a grife é válido até 2050. Pessoas próximas às empresas disseram que ambas demonstram maior interesse em preservar essas relações comerciais do que em comprar uma participação significativa.
A LVMH indicou interesse no processo, mas investidores avaliam que a Armani não se encaixa de forma evidente no portfólio do grupo. A diferença entre as estimativas de valor também pode dificultar um acordo: pessoas próximas à Armani mencionaram cerca de € 10 bilhões (R$ 59,2 bilhões), enquanto potenciais investidores avaliam a empresa entre € 3 bilhões (R$ 17,7 bilhões) e € 7 bilhões (R$ 41,51).
Se nenhum dos investidores preferenciais ou outro comprador aceitável avançar, a alternativa será uma abertura de capital na bolsa. O desafio central, além da avaliação financeira, é demonstrar que a empresa pode crescer sem Giorgio Armani.








