As Forças Armadas do Irã estão preparadas para novos ataques dos Estados Unidos, afirmou neste domingo (27) o porta-voz do Exército, Mohammad Akraminia. A declaração ocorreu após Donald Trump rejeitar uma proposta iraniana para reabrir o estreito de Hormuz e encerrar os combates.
Akraminia disse que os Estados Unidos sofreriam danos maiores caso atacassem novamente o país. O comandante-chefe do Exército iraniano, Amir Hatami, afirmou que a guerra entrou em uma fase crítica e decisiva. Segundo ele, Teerã não aceitará ficar sem condições de fazer comércio enquanto potências estrangeiras utilizarem as vias navegáveis estratégicas da região.
"Se o Irã não puder comercializar, se o Irã não puder viver, ninguém poderá comercializar ou viver", declarou Hatami. Ele também disse que o estreito faz parte da dignidade e da honra do país e não poderá ser usado pelos adversários enquanto a população iraniana estiver privada de recursos.
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que o governo iraniano identificou uma reação inicial de Trump à proposta, mas ainda não recebeu uma resposta formal por meio de mediadores. O país, segundo o chanceler, aguarda a posição definitiva dos Estados Unidos antes de decidir os próximos passos.
"Nossas condições são claras, e qualquer movimento para reabrir o estreito de Hormuz depende do cumprimento dessas condições. Não recuaremos", disse Araghchi. Ele acrescentou que Teerã não fechou a porta para a diplomacia, mas também não abriu mão de seus direitos.
Proposta iraniana
O Irã anunciou na sexta-feira (25) uma proposta para reabrir Hormuz e estabelecer um cessar-fogo em sete dias, contados a partir da validação do acordo. Em troca, pediu o fim do embargo econômico imposto por Washington, a suspensão do bloqueio naval, o desbloqueio de parte dos ativos iranianos e a retirada das sanções às exportações de petróleo.
A proposta também previa o reinício das negociações sobre o programa nuclear iraniano. O presidente Masoud Pezeshkian disse que o plano foi elaborado em coordenação com o líder supremo, Mojtaba Khamenei, e que uma equipe de seis membros com poder de decisão foi criada.
Trump rejeitou a iniciativa e afirmou que o governo iraniano buscava um acordo porque estava perdendo terreno. Em quase sete meses de guerra, o presidente americano mudou repetidamente sua posição sobre a duração do conflito e sobre a possibilidade de negociar com Teerã.
Autoridades americanas disseram que Trump espera retomar os bombardeios contra o Irã após as eleições legislativas de novembro. As eleições podem alterar o controle republicano da Câmara e do Senado, enquanto a guerra é apontada como um tema sensível para o eleitorado e prejudica os índices de aprovação do presidente.








