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Economia

Bets ampliaram inadimplência, reduziram consumo e mantiveram mercado clandestino

Estudos e órgãos públicos apontaram efeitos das apostas sobre crédito, consumo, benefícios sociais, saúde e fiscalização entre 2023 e 2026.

Bets ampliaram inadimplência, reduziram consumo e mantiveram mercado clandestino

O mercado clandestino ainda respondia por entre 41% e 51% das apostas no Brasil, mesmo após a regulamentação entrar em vigor em 1º de janeiro de 2025. Um estudo do Insper e da StoneCo estimou que essa parcela movimentava de R$ 26 bilhões a R$ 40 bilhões por ano fora do alcance do Fisco.

A Polícia Federal bloqueou R$ 951,1 milhões durante a Operação Slots, realizada em julho, contra um grupo suspeito de promover sites ilegais com influenciadores. As plataformas simulavam selos oficiais e enganavam consumidores.

Crédito e renda das famílias

O estudo do Insper e da StoneCo apontou que começar a apostar aumenta em 19,7% a probabilidade de inadimplência geral e em 38,7% a de inadimplência no cartão de crédito. Como reação, os bancos reduziram em 16% os limites dos clientes. A liquidez e o saldo médio bancário das famílias caíram 43% no mês seguinte ao início das apostas.

Em março de 2026, Ibevar e FIA Business School identificaram as bets como o principal fator isolado de endividamento do país, com pressão quase duas vezes maior que a dos juros altos e da expansão do crédito. A Consultoria Legislativa do Senado, a Federação Brasileira de Bancos e o Banco Central do Brasil já haviam alertado para o risco de uma bolha de inadimplência e para a ligação entre crédito e apostas.

A perda de renda também atingiu o consumo. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo estimou que, entre janeiro de 2023 e março de 2026, o varejo deixou de movimentar R$ 143 bilhões, valor equivalente a dois Natais em vendas. Pesquisas citadas por entidades do setor indicaram que 46% dos apostadores deixaram de comprar itens essenciais, como vestuário e produtos de supermercado, e 15% deixaram de pagar contas de luz e água.

Bolsa Família e saúde

Em agosto de 2024, 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família transferiram R$ 3 bilhões por Pix para plataformas de apostas, segundo dados do Banco Central solicitados pelo Senado. O Tribunal de Contas da União informou que 37% dos apostadores entrevistados disseram ter usado dinheiro destinado a despesas essenciais e de subsistência para jogar.

A Lei 14.790/2023 não criou um filtro para cruzar CPFs de programas sociais com o cadastro de apostadores. Em outubro de 2024 e ao longo de 2026, o governo bloqueou cartões do Bolsa Família, do BPC e do Fies nas casas de apostas.

Os afastamentos do trabalho pagos pelo INSS por jogo patológico passaram de um caso em junho de 2023 para 62 em junho de 2026. No mesmo período, os atendimentos a dependentes no SUS cresceram quase 140%. O Ministério da Saúde classificou a situação como uma “pandemia” e passou a articular redes de apoio no SUS e no SUAS.

Arrecadação e risco jurídico

A Receita Federal registrou R$ 9,91 bilhões em tributos sobre jogos de azar e apostas online entre janeiro e agosto de 2026, alta de 69,3% ante os oito primeiros meses de 2025. Especialistas, porém, avaliaram que a arrecadação pode ser compensada por perdas no consumo e por gastos públicos com saúde, assistência social e recuperação de inadimplentes.

Foram 85 empresas que pagaram outorgas de R$ 30 milhões cada, totalizando R$ 2,55 bilhões, para operar por cinco anos. Juristas alertaram que uma proibição por medida provisória poderia gerar ações indenizatórias por investimentos, quebra de contratos e lucros cessantes.

“Que imagem o país está passando para as empresas em geral”, questionou Luciano Andrade Pinheiro, advogado especialista em Direito Desportivo e sócio do Corrêa da Veiga Advogados.

A regulamentação das apostas foi aprovada em dezembro de 2018, no fim do governo Michel Temer, e o mercado regulado começou a funcionar em 2025. A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais informou que o Brasil chegou a 22 milhões de apostadores, contra 21 milhões de investidores. Entre os jovens nascidos a partir de 1995 e as classes de baixa renda, a adesão chegou a 29%.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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