FORTALEZA — A alopecia androgenética, condição genética ligada ao afinamento e à perda dos fios, foi o foco de novas abordagens apresentadas no congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O encontro reuniu mais de 3 000 profissionais e discutiu opções para agir antes do surgimento de grandes áreas sem cabelo.
A condição atinge entre 50% e 80% dos homens com o avançar da idade e até 40% das mulheres. O tratamento pode combinar medicamentos tópicos ou orais com microagulhamento e laser de baixa potência, conforme a avaliação da região e do estado de saúde de cada paciente.
Laser desenvolvido para o cabelo
Um dos equipamentos apresentados foi o FoLix, novo laser que chegou ao Brasil com foco específico no tratamento capilar. A aplicação pode ser feita em até seis sessões de trinta minutos, com manutenções anuais.
“Agora começamos a ter equipamentos realmente pensados para o cabelo”, afirmou a médica Lilian Brasileiro, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). Segundo ela, durante muito tempo foram usadas no couro cabeludo tecnologias criadas originalmente para a pele.
A proposta desses métodos é estimular o folículo piloso e ampliar o crescimento e a aparência dos fios. A combinação de terapias também é considerada uma possibilidade no planejamento individualizado.
Inteligência artificial e novos medicamentos
A inteligência artificial já é usada no diagnóstico, no acompanhamento e na contagem dos fios durante cirurgias de transplante. A dermatologista Luciana Passoni, especialista em calvície de São Paulo, disse que a tecnologia também integra robôs responsáveis pelo implante de cabelos.
Os transplantes capilares tiveram aumento de 230% na região das Américas entre 2010 e 2021. Ainda assim, há interesse em alternativas capazes de retardar a perda dos fios antes da formação de áreas sem cabelo.
Entre as pesquisas estão versões de liberação prolongada do minoxidil e da finasterida. Também é estudado o VDPHL01, chamado de “novo minoxidil”, cujo comprimido apresentou melhora na cobertura capilar em mais de 80% dos voluntários das pesquisas.
Nem todas as propostas têm aprovação. O plasma rico em plaquetas, aplicação que utiliza células do sangue do próprio paciente, ainda não está aprovado e disponível, segundo a dermatologista Bruna Duque Estrada, da SBD.








