BRASÍLIA — A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) passou a preocupar economistas e investidores, que veem risco de aumento da insegurança jurídica, afastamento de investimentos estrangeiros e menor crescimento do país. A tensão ocorre enquanto o mercado revisa para baixo a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) e a inflação continua pressionando o Banco Central.
A insegurança jurídica aparece quando investidores consideram que as regras não são claras ou estáveis. Nesse cenário, eles podem retirar recursos do país ou exigir custos maiores para investir. A consequência apontada é a alta do dólar, que encarece produtos importados e combustíveis e contribui para a inflação.
Para conter a pressão sobre os preços, o Banco Central pode manter os juros elevados por mais tempo. Isso dificulta o acesso a empréstimos e parcelamentos e aumenta o custo para as famílias.
Projeções para a economia
O relatório Focus reúne expectativas de bancos e consultorias. Nesta semana, a projeção de crescimento do PIB para 2026 caiu de 1,93% para 1,89%. Ao mesmo tempo, a inflação esperada subiu para 4,65%.
A avaliação apresentada é que o conflito entre Judiciário e Legislativo reduz a confiança do empresariado para planejar novos negócios e expansões. Esse ambiente pode afetar a geração de empregos e a circulação de riqueza no país.
Relatórios também apontaram a redução da independência do Judiciário e as mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes como fatores negativos para os negócios. A tensão foi associada a uma saída líquida de US$ 3,9 bilhões do país no mês passado. Investidores estrangeiros registraram o pior saldo do ano na Bolsa de Valores brasileira (B3).
Pedidos do setor produtivo
Entidades como a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e mais de 3 mil associações assinaram manifestos em defesa da estabilidade das instituições. O setor produtivo sustenta que o desenvolvimento social e econômico depende de um Judiciário que aplique as leis de maneira estrita e transparente.
As entidades pedem que o plenário do STF trate o impasse com urgência e defendem a criação de um código de conduta para os ministros. A intenção, segundo os manifestos, é recuperar a confiança institucional e evitar o aumento do chamado custo Brasil, que encarece a produção e afasta investimentos.







