O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que Paulo Gonet, procurador-geral da República, teve a reputação prejudicada após a divulgação de conversas encaminhadas por um advogado a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. As mensagens foram incluídas em um relatório da Polícia Federal cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça.
A manifestação foi compartilhada por Gilmar em seu perfil no X nesta 5ª feira (17.set.2026). Ele disse que as conversas não mostravam conduta ilícita e que Mendonça reconheceu em plenário a lisura da atuação de Gonet e a ausência de elementos contra o procurador-geral.
Gilmar questionou a decisão de tornar o relatório público mesmo após esse reconhecimento. Para ele, a exposição teria causado dano à imagem de Gonet antes de qualquer correção feita no plenário. “Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário”, escreveu.
O ministro também criticou um vídeo publicado nas redes sociais por Mendonça, no qual, segundo Gilmar, o relator agradeceu o apoio popular. Na avaliação de Gilmar, a iniciativa indicaria uma tentativa de obter ganhos políticos com o episódio. Ele chamou o colega de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”.
Gilmar comparou o caso à Lava Jato. Na mensagem, afirmou que Deltan Dallagnol e Sergio Moro teriam usado vazamentos seletivos para produzir efeitos políticos antes de ações penais, enquanto a defesa enfrentava julgamentos formados pela opinião pública.
O ministro também relacionou o momento da divulgação ao período anterior ao 7 de Setembro. Segundo ele, o levantamento do sigilo ocorreu às vésperas da data para produzir efeitos políticos, atingir reputações e intimidar opositores do método que criticou.
Ao final, Gilmar declarou solidariedade a Gonet e afirmou que instituições devem respeitar o devido processo desde o primeiro ato.








